No Parlamento Europeu, houve comoção em torno da proposta da política alemã Maria Noichl (SPD), que acredita que agricultores ativos não devem votar sobre a nova Política Agrícola Comum (PAC). Noichl entende que eurodeputados que recebem fundos da PAC deveriam se abster de votar.
Noichl falou em “claro conflito de interesses” caso agricultores ativos participem da votação sobre a reforma da PAC. A social-democrata da Baviera afirmou na semana passada, na comissão da agricultura, que a “participação” de agricultores nas comissões da UE é “absolutamente importante e tranquila”, mas não em algumas votações sobre pagamentos por área ou subsídios.
Noichl citou uma reportagem sobre a eurodeputada austríaca verde Sarah Wiener, que recebeu mais de 350.000 euros em pagamentos diretos da PAC. Para Peter Jahr (CDU), um dos relatores da reforma da PAC, foram mais de 110.000 euros. A família da parlamentar do CSU Marlene Mortler recebeu mais de 75.000 euros e Ulrike Müller, dos Voters Livres, obteve um valor médio de cinco dígitos.
A austríaca Wiener reagiu inicialmente, classificando a iniciativa da política do SPD como uma “campanha suja” contra ela e outros agricultores na comissão AGRI. Também o presidente da comissão de agricultura, Norbert Lins (CDU), defendeu os agricultores ativos das críticas de Noichl. Lins enfatizou que é grato a cada agricultor na comissão técnica.
Atualmente, em Bruxelas e Estrasburgo, estão sendo feitos os últimos preparativos para as votações plenárias no início de outubro no Parlamento Europeu sobre a nova PAC. Noichl destacou que em muitos países da UE é costume que políticos se abstenham de votar quando o tema envolve interesses privados ou comerciais próprios. Ela considera que os procedimentos de votação europeus devem ser adaptados para refletir isso.

