República Tcheca anunciou na quarta-feira que o serviço secreto descobriu que a rede espalhava propaganda russa através do site de notícias Voice of Europe, sediado há algum tempo em Praga. Originalmente, trata-se de um site holandês com uma linha extrema-direita.
Moscou pagou dinheiro a eurodeputados para promover propaganda russa, disse o primeiro-ministro belga Alexander De Croo na quinta-feira. A tentativa de influência pró-Moscou no meio da UE por parte da Rússia é motivo de crescente preocupação e dúvidas dentro da União Europeia há bastante tempo.
A investigação focaliza a Voice of Europe, uma empresa holandesa listada na bolsa que teria sido vendida recentemente. A empresa afirmava fornecer “notícias não censuradas da Europa e do mundo”. Há duas semanas, organizou um debate em Estrasburgo com presença de membros do Vox espanhol e do Forum voor Democratie, extrema-direita na Holanda. O site da empresa está fora do ar desde a noite de quarta-feira passada.
Um porta-voz em Bruxelas acrescentou que o Parlamento já proíbe o acesso aos edifícios da UE para meios de comunicação que constem em listas de sanções da UE. Uma das pessoas sancionadas é o político pró-Kremlin ucraniano Viktor Medvedchuk, que usou o site Voice of Europe para disseminar propaganda contra a "integridade territorial, soberania e independência" da Ucrânia.
O primeiro-ministro tcheco Petr Fiala afirmou que a operação desvelada visava desestabilizar toda a Europa, e revelou que outros países europeus já iniciaram suas próprias investigações. O Serviço de Segurança Interna da Polônia informou na quinta-feira que também realizou buscas na capital Varsóvia e na cidade de Tychy como parte de uma investigação conjunta.
As notícias sobre subornos russos a políticos da UE em Estrasburgo surgem pouco mais de três meses antes das eleições europeias de junho. O Parlamento Europeu está abalado desde dezembro de 2022 pelo chamado escândalo Qatargate, envolvendo suspeitas de corrupção com a participação do Catar e Marrocos.

