Para o grupo social-democrata S&D em Estrasburgo, não é certo que neste outono será eleito um democrata-cristão do EVP como novo presidente do Parlamento Europeu. A líder do grupo, Iratxe Garcia Perez, também não quer confirmar que o S&D cumprirá o acordo feito em 2019, no qual o EVP assumiria a presidência na metade do mandato.
O líder do grupo EVP, Manfred Weber, anunciou na semana passada, para surpresa de muitos, que desistia da presidência porque prefere continuar político, e que deseja suceder Donald Tusk como presidente do EVP. Também há insinuações de que Weber quer manter as mãos livres para, na Alemanha, poder se tornar ministro, caso a CDU/CSU forme uma nova coalizão após as eleições federais (26 de setembro).
Por isso, o EVP iniciou um procedimento interno de seleção para encontrar outro candidato do EVP que em novembro substitua o atual presidente do Parlamento, David Sassoli (S&D). O automatismo com que o EVP reivindica essa função desagradou vários grupos em Estrasburgo.
Esta manhã, em uma coletiva de imprensa em Estrasburgo, Garcia Perez deixou claro que seu partido “não apoiará qualquer candidato do EVP”, que a situação mudou gravemente nos últimos anos e que Sassoli manteve o Parlamento Europeu em destaque durante o período da covid-19.
Ela também mencionou várias vezes com ênfase “que hoje existem outras prioridades”, aparentemente como argumento para colocar em dúvida o primeiro acordo sobre a troca a meio do mandato. Ela não quis dizer que Sassoli renunciará de qualquer forma no meio do mandato, nem que ele esteja disponível para permanecer durante todo o período.
No entanto, a líder do S&D reconheceu “que teremos que conversar com o EVP”, mas quer esperar primeiro para saber qual candidato os democrata-cristãos eventualmente apresentarão. Nos bastidores, já são mencionados os nomes do espanhol Esteban González Pons, da holandesa Esther de Lange e da maltesa Roberta Metsola. Muitos eurodeputados gostariam de ver uma mulher política como presidente do Parlamento Europeu.

