O Comissário Europeu do Ambiente, Virginijus Sinkevicius, afirma que aumentar a produção agrícola e pecuária na União Europeia não é “a solução mágica” para a crise alimentar causada pelo bloqueio russo dos portos marítimos ucranianos. Esse bloqueio impede que a Ucrânia exporte seu grão para o resto do mundo.
Sinkevicius destacou que a guerra não pode servir como justificativa para adiar o Pacto Verde Europeu. “A terrível guerra na Ucrânia não é motivo para postergar o Pacto Verde, mas sim para intensificarmos nosso trabalho”, afirmou. Ele respondeu assim a um recente apelo repetido feito pela Comissão de Agricultura para adiar as medidas climáticas e ambientais na política agrícola europeia.
“Aumentar a produção na União Europeia não será a solução mágica para ajudar nossos parceiros internacionais, nem os países em desenvolvimento nem a própria Ucrânia”, disse Sinkevicius nesta segunda-feira durante um debate com a Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu. Vários ministros da Agricultura também têm pressionado Bruxelas para flexibilizar os elementos do Pacto Verde.
Antes da guerra, a Ucrânia era um importante exportador de grãos, especialmente relevante para garantir a segurança alimentar no Oriente Médio e no Norte da África. Sinkevicius acrescentou que é necessário aumentar a produção alimentar nos países mais vulneráveis, “para que sua dependência estrutural seja reduzida.”
O comissário enfatizou que o desafio atual para a segurança alimentar “é mundial e não interno”. “Não temos falta de alimento na Europa. Pelo contrário, produzimos e subsidiamos mais carne do que conseguimos consumir e continuamos jogando fora alimentos em quantidades que, para dizer o mínimo, são escandalosas,” observou.
Ele acrescentou que o problema da guerra na Ucrânia não é falta de alimentos, mas sim de distribuição”. Ressaltou que o problema “é, em primeiro lugar”, de natureza logística.
“A única maneira de avançar é pressionar a Rússia e desbloquear os portos no Mar Negro, pois atualmente há 40 milhões de toneladas de grãos na Ucrânia, das quais 20 milhões estão prontas para serem exportadas em julho”, disse ele.

