A Comissão Europeia poderá a partir de agora reter fundos europeus se um Estado-membro violar o Estado de Direito. A proposta foi aprovada pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.
O recurso conjunto da Polônia e Hungria contra o novo “mecanismo do Estado de Direito” foi rejeitado pelos juízes europeus. A aprovação de sanções contra Polônia e Hungria era esperada há algum tempo. A Comissão não ultrapassa suas competências, pois trata-se do orçamento e dos interesses financeiros da UE.
Antes já existia o famoso “artigo 7”, que pode suspender o direito de voto de um Estado-membro. Nos últimos anos, isso provou ser inviável devido à exigência de unanimidade, com Polônia e Hungria sempre se protegendo mutuamente.
Segundo uma fonte sênior da Comissão, será mais fácil montar um processo contra a Hungria do que contra a Polônia. As irregularidades em licitações, o clientelismo e o nepotismo na Hungria facilitam isso mais do que a erosão mais geral do Estado de Direito na Polônia. Além disso, a Polônia já iniciou mudanças na controversa lei sobre nomeações de juízes.
Para o GroenLinks, a Comissão Europeia deve congelar os fundos da UE para a Hungria e Polônia enquanto continuarem violando o Estado de Direito. Caso a Comissão não faça isso, os Verdes no Parlamento Europeu querem colocar a Comissão sob tutela. Essa medida foi adotada apenas uma vez anteriormente pelo Europarlamento, após a qual a Comissão decidiu renunciar.
Strik: “Os governos polonês e húngaro minam nossos valores europeus, nossa política externa e o fato de que o direito da UE está acima das legislações nacionais. Permitir isso de maneira complacente prejudica os direitos dos cidadãos da Hungria e da Polônia e os interesses da União Europeia como um todo.
“É justo que os Estados-membros da União Europeia que não respeitam as regras do Estado de Direito possam ser sancionados.” Essa foi a reação do eurodeputado Peter van Dalen (ChristenUnie) à decisão do Tribunal de Justiça. Estados-membros disfuncionais têm grande impacto negativo na União Europeia como um todo, e isso deve poder ser contido por meio de sanções ou cortes nos subsídios europeus”, afirmou Van Dalen.

