O Parlamento Europeu deu o primeiro passo formal rumo a uma lei que irá limitar as ações de grandes empresas de internet como Google e Facebook nos países da UE.
Ao definir suas atividades na internet como um ‘mercado’, elas passarão a estar sob as regras de Concorrência da UE, que funcionarão como normas comerciais.
A criação de uma lei para a Autoridade do Mercado Digital (Digital Market Authority - DMA) visa coibir o abuso de poder de grandes empresas de tecnologia com uma função de ‘porteiro’. Porteiros são empresas online como Apple, Google ou Amazon que são tão grandes que representam a única ‘porta de entrada’ para um grande grupo de usuários.
A Comissão Europeia apresentou a proposta do DMA há um ano, que agora foi iniciada em Estrasburgo e deverá ser aprovada em plenário em dezembro. Na quinta-feira, os ministros nacionais da Economia também votarão em emendas ao DMA.
Espera-se que as negociações possam ser concluídas no próximo semestre, sob a presidência francesa da UE. Assim, a lei pode entrar em vigor em 2023. O presidente francês Macron, que deseja ser reeleito em breve, tem sido um grande defensor das leis europeias contra o poder desenfreado das empresas de internet. Ele também apoiou a introdução de um imposto sobre os lucros da internet.
O eurodeputado holandês Paul Tang (PvdA) foi um dos negociadores desta nova lei da UE. As novas regras criarão dezoito obrigações para prevenir a formação de monopólios e proibir abusos de poder.
Empresas de internet que não cumprirem essas obrigações poderão ser multadas entre 4% e 10% de seu faturamento anual e ainda poderão ser desmembradas. Segundo Tang, o Facebook nunca esteve tão nervoso com a legislação quanto agora.
A eurodeputada do GroenLinks Kim van Sparrentak comentou que “a nossa sociedade está se tornando demasiado dependente de um pequeno grupo de grandes plataformas. Precisamos garantir que tenhamos opções online novamente. As regras que estamos propondo para as Big Tech estão no caminho certo.”

