De acordo com a associação de agricultores da Áustria, a espécie não está mais ameaçada de extinção. No outono de 2022, Tirol havia concedido permissão para abater um lobo em vinte casos individuais. Após protestos, um tribunal administrativo decidiu enviar questões legais sobre a interpretação da Diretiva Habitats ao Tribunal de Justiça da União Europeia.
Existem mais de 20.000 lobos na União Europeia. As regras atuais mais rigorosas só permitem, em casos excepcionais, a caça de um ''lobo-problema'' específico. Se a Áustria quiser mudar isso, será necessário primeiro alterar o Tratado de Berna e também a diretiva dos habitats da UE, observam os juízes.
Uma exceção à proibição atual, visando evitar danos econômicos, só pode ser autorizada se a população de lobos estiver em um estado favorável de conservação, o que não é o caso na Áustria, afirmou o tribunal em Luxemburgo:
Em resposta ao veredito, o ministro da Agricultura do Tirol, Josef Geisler, declarou que a decisão não possui consequências diretas, mas também não oferece flexibilização. Ele destacou que as regras de caça foram respeitadas e que, apesar da proteção rigorosa, lobos danificadores e perigosos ainda podem ser removidos.
Geisler insiste junto à Comissão Europeia e ao Parlamento Europeu para que rebaixem o status de proteção dos lobos. Ele afirma que o lobo já não está ameaçado de extinção e que a regulamentação atual não é adequada à situação no Tirol. Segundo ele, o lobo deveria ser gerenciado como qualquer outro animal selvagem.
O advogado Jochen Schumacher, do Instituto para Natureza e Conservação da Natureza em Tübingen, vê implicações da decisão que vão além da Áustria. Ele destaca que agora deve ser avaliado para cada montanha e pasto alpino se é possível proteger o gado por meio de pastores ou cercas. A prática atual de designar todas as montanhas e Alpes na Europa como ‘‘inprotegíveis’’ é, segundo ele, incompatível com a Diretiva FFH.
O ministro da Agricultura da Áustria, Norbert Totschnig, alertou que os lobos estão ficando cada vez menos assustados com os humanos e são vistos com maior frequência em áreas residenciais. Totschnig pede que a UE rebaixe o status de proteção dos lobos para proteger as pessoas e o gado.
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