Organizações agrícolas da UE juntaram-se ao apelo da National Farmers Union (NFU) do Reino Unido para um avanço nas negociações sobre um acordo comercial britânico-europeu. As conversações sobre o período pós-Brexit estão bloqueadas, e o Parlamento Europeu até ameaça votar contra.
O apelo foi discutido durante uma videoconferência sobre o comércio de produtos agroalimentares entre o Reino Unido e os países da UE, bem como as consequências ameaçadoras para as empresas agrícolas britânicas caso haja um Brexit sem acordo. Nesse cenário, passarão a valer as regras globais da OMC para importação e exportação, incluindo cotas e tarifas de importação.
A videoconferência da NFU e de outras seis organizações agrícolas britânicas/europeias contou com a participação de mais de 150 políticos, grupos de alimentação e agricultura, e interessados. “Os agricultores da UE e do Reino Unido dependem do comércio transfronteiriço. Mais de 70% das exportações britânicas de produtos agroalimentares destinam-se à UE, e é essencial que essa relação seja mantida através de um acordo de tarifa zero, sem cotas”, afirmou a presidente da NFU, Minette Batters.
Se, a partir do próximo ano, os britânicos quiserem firmar acordos comerciais fora da UE com os Estados Unidos ou a China, precisarão igualmente estabelecer acordos de qualidade (meio ambiente, trabalho etc.), direitos de importação (alfândega, IVA etc.) e regras de importação (quantidades máximas, cotas etc.), também com a União Europeia. Recentemente, o primeiro-ministro Boris Johnson indicou pela primeira vez — para choque de muitos agricultores britânicos — que no próximo ano poderão ser aplicadas quotas e tarifas para a exportação de alguns produtos aos países da UE.
Além disso, o governo britânico deseja fechar com a UE um acordo comercial restrito, enquanto o setor empresarial britânico quer manter o mais possível o livre comércio com os países da UE. Quanto à UE, a pesca no Mar do Norte britânico deve estar incluída nesse acordo.
O Parlamento Europeu não apoiará um acordo a qualquer custo, alertaram vários eurodeputados na quarta-feira durante um debate sobre a relação comercial futura. Eles se opõem à proposta britânica de selecionar apenas certas áreas políticas para negociações, ignorando outras.
Vários oradores ressaltaram que ambas as partes devem cumprir a declaração política assinada no ano passado pelo Reino Unido e pela UE, que oferece um quadro claro para uma relação futura. O Parlamento Europeu deverá aprovar qualquer novo tratado. Com apenas seis meses restantes para o fim do período de transição, as negociações estão em impasse.
“O Parlamento deseja um novo tratado com o Reino Unido baseado em concorrência justa, com padrões claros sociais, trabalhistas e climáticos. É lógico que, se um país quer acesso ao mercado europeu de 450 milhões de cidadãos, isso deve vir acompanhado de condições. Claro que queremos um acordo com o Reino Unido, mas não a qualquer preço. Isso também significa que precisamos nos preparar seriamente para o cenário de que nenhum acordo será alcançado — com todas as consequências econômicas que isso implica”, disse a relatora da UE dos Países Baixos, Kati Piri (PvdA). Na quinta-feira será aprovada uma resolução sobre o progresso das negociações, seguida por uma coletiva de imprensa.

