O Ministério do Comércio e Indústria da Rússia recomendou aos produtores de fertilizantes do país que suspendam temporariamente as exportações. Essa 'recomendação' na prática significa uma proibição de exportação, por ordem do Kremlin. Existem outros países que produzem e exportam fertilizantes, mas eles são consideravelmente mais caros.
Bielorrússia – um fornecedor importante de potássio para países da União Europeia, América do Sul e Estados Unidos – também interrompeu a exportação de fertilizantes por não ter mais acesso ao porto (do Mar Báltico) de Klaipeda, na vizinha Lituânia, ao norte.
Na semana passada, grandes transportadoras internacionais de contêineres, como Maersk e Hapag-Lloyd, decidiram não mais operar em portos russos. A Maersk, que opera rotas de transporte de contêineres para São Petersburgo e Kaliningrado no Mar Báltico, Novorossiysk no Mar Negro, e Vladivostok e Vostochny na costa leste da Rússia, suspendeu temporariamente todo o transporte de contêineres para a Rússia.
A paralisação da exportação russa de fertilizantes afeta não apenas a agricultura europeia, mas também o comércio mundial de soja e grãos. O Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja e uma fonte global importante de milho, começará a plantar apenas mais tarde neste ano, mas a falta de fertilizantes terá grande impacto para os brasileiros.
A proibição russa à importação de fertilizantes terá efeito principalmente nos países africanos, que são os menos capazes de suportar a perturbação de mercado e têm menos acesso a alternativas, segundo um ex-economista chefe do USDA.
A Rússia é um produtor importante de fertilizantes à base de potássio, fosfato e nitrogênio – nutrientes essenciais para culturas e solo. Produz mais de 50 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, o que corresponde a 13% do total mundial. Phosagro, Uralchem, Uralkali, Acron e Eurochem são os maiores players. Eles exportam principalmente para a Ásia e Brasil.
Os países da UE dependem da Rússia para cerca de 26% das suas importações de ureia, 26% das importações de fosfato e 21% das importações de potássio. O Brasil também depende da Rússia de forma similar, que fornece cerca de 46% do potássio importado pelo país, 20% da ureia e 13% do fosfato.

