A comissária de direitos humanos do Conselho da Europa, Dunja Mijatovic, voltou a soar o alarme na semana passada sobre o acolhimento de refugiados em barcos nas ilhas gregas próximas à costa da Turquia. Após uma visita de cinco dias às ilhas de Lesbos e Samos, ela disse estar chocada com as condições terríveis em que milhares de pessoas vivem ali. Atenas recebeu uma advertência por conta da “situação explosiva” nos campos das ilhas.
Mijatovic apelou ao novo governo grego de direita para que tome medidas urgentes. Nos campos há uma grande falta de atendimento médico. As pessoas têm que esperar horas para usar o banheiro ou conseguir comida. Nas ilhas gregas no Mar Egeu, o número de refugiados que chegam tem aumentado nos últimos meses. Os campos de acolhimento não suportam o fluxo e estão superlotados. Mais de 34.000 pessoas esperam ali (algumas há anos!) pelo processamento de seus pedidos de asilo, apesar de haver espaço para no máximo 6.300 migrantes.
Por isso, o debate sobre migração reacendeu na Grécia. Entre a população grega, o ódio aos estrangeiros aumentou nos últimos anos, e nas eleições recentes o partido de direita populista ND conquistou a maioria, devolvendo o governo de esquerda Syriza para casa. Além disso, o país voltou a se tornar nos últimos meses a principal porta de entrada para a Europa dos refugiados. Nos anos anteriores, Espanha e Itália haviam assumido essa posição.
O fluxo crescente de migrantes impôs problemas ao novo governo grego. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis obteve na última sexta-feira, após uma sessão maratona, o aval do parlamento para uma nova lei de asilo. Essa lei permite às autoridades acelerar o processamento dos pedidos de asilo. Além disso, o governo poderá devolver mais rapidamente para a Turquia os migrantes que não se qualificarem para proteção internacional. A Grécia passará a conceder asilo com mais dificuldade aos migrantes.
No debate no parlamento grego, o conservador Mitsotakis confrontou várias vezes seu antecessor, o radical de esquerda Alexis Tsipras. O líder do Syriza acusou seu sucessor de espalhar "retórica extremista" e mentiras sobre a "política migratória excessivamente permissiva" do antigo governo Syriza.
Mitsotakis afirmou que a Grécia não pode acomodar dezenas de milhares de refugiados sem um sistema eficiente. “Esta lei nos dá uma ferramenta que protege os refugiados, mas evita que abramos as portas escancaradas para todos”, disse ele.
O governo de Mitsotakis também recebeu nas últimas semanas críticas de organizações de ajuda humanitária por sua política migratória. Entre elas, a intenção de devolver cerca de 10.000 requerentes de asilo para a Turquia até o final deste ano gerou controvérsia. No entanto, o governo grego segue em frente com a transferência de migrantes dos campos superlotados nas ilhas. Neste fim de semana, cerca de 800 migrantes de Lesbos serão levados para o continente grego. Eles serão alojados em hotéis, que estão em sua maioria vazios agora que a alta temporada terminou.
O governo grego planeja realocar nas próximas duas semanas 5.000 migrantes das ilhas para o continente. Só no campo Moria, em Lesbos, vivem quase 15.000 migrantes, embora haja espaço para apenas 3.000. No início de setembro, o governo anunciou medidas devido aos campos de refugiados superlotados, que são afetados por violência. Também há grandes problemas com moradia, assistência médica e higiene.
Quase 44.000 pessoas chegaram à Grécia por mar vindas da Turquia neste ano. A maioria é originária do Afeganistão ou da Síria.

