O primeiro-ministro croata Andrej Plenković deixou claro que a Croácia, o mais novo membro da UE, deseja juntar-se o mais rápido possível ao círculo interno da União, incluindo a adesão à zona Schengen sem visto. A Croácia também pretende adotar o euro como meio de pagamento o quanto antes.
Plenković falou na quarta-feira em Zagreb com um grupo de 60 jornalistas baseados em Bruxelas por ocasião da inauguração da presidência croata do Conselho da UE. A Croácia assume a presidência rotativa da Finlândia.
Além das prioridades da presidência croata que foram destacadas nos últimos dias, Plenković ressaltou que seu país tem dois importantes objetivos nacionais: a adesão à zona Schengen e à zona do euro.
No cenário europeu, há muito a ser feito no próximo semestre. Claro que a questão do Brexit está presente. A partir de 1º de fevereiro, o Reino Unido deverá deixar a UE, mas ainda será necessário ter um acordo comercial entre Londres e Bruxelas até o final deste ano. Além disso, será organizada em Zagreb, capital croata, uma cúpula dos Bálcãs para discutir a expansão da União Europeia. A Croácia foi, em 2013, o último país a ingressar na UE, sendo o 28º membro. A expansão com Montenegro e Albânia atualmente está bloqueada pela França e Países Baixos.
Outros temas importantes são a definição de um orçamento plurianual até 2027, a regulamentação da questão migratória e a reestruturação de um acordo climático para alcançar a neutralidade das emissões até 2050. A Croácia deseja integrar a zona Schengen e abandonar a sua moeda nacional, o kuna; o euro deverá ser adotado até 2024, no máximo.
A Croácia conta recentemente com um presidente de centro-esquerda. Porém, o nacionalismo de direita ainda tem forte presença no país que será presidente da União Europeia no primeiro semestre de 2020. No último domingo, ocorreram as eleições presidenciais na Croácia. No segundo turno, o candidato social-democrata Zoran Milanovic (53) derrotou a conservadora chefe de Estado Kolinda Grabar-Kitarovic, com 52,7% dos votos contra 47,3%. Seu mandato de cinco anos começa em fevereiro.
O novo presidente croata tentou, após a vitória eleitoral, encontrar as palavras certas. Ele deseja ser um chefe de Estado acima dos partidos, representando os 4,5 milhões de croatas de um país liberal, democrático e pró-europeu. Não quer fazer política às escondidas. Pretende não mais falar do passado e agir estritamente conforme a constituição, afirmou Milanovic.
Tudo isso, claro, deveria ter acontecido há muito tempo na Croácia. Esta lista indica o quanto falta avançar no país, com termos como corrupção, nepotismo, crimes de guerra impunes e relações difíceis com os países vizinhos. Com a Sérvia, há uma guerra comercial e um debate amargo sobre a extradição de criminosos de guerra mutuamente acusados. A Eslovênia demorou a aceitar a adesão da Croácia à UE devido a disputas pesqueiras e territoriais.
Um dos maiores casos de corrupção da Croácia teve recentemente um desfecho provisório. O ex-primeiro-ministro Sanader foi condenado a seis anos de prisão por receber dez milhões de euros em subornos.

