Na segunda-feira, o Comitê Permanente de Hortícolas, Animais, Alimentos e Alimentação Animal da Comissão Europeia decidirá se o fungicida mancozeb continuará permitido na agricultura da UE.
Os especialistas e peritos se debruçarão durante dois dias sobre uma proposta do Parlamento Europeu para a retirada completa da autorização europeia do fungicida. A Comissão Europeia quer (assim como nos últimos anos) estender a autorização do fungicida por mais um ano, até 2021.
O parecer dos especialistas do Comitê Permanente pode ser decisivo para a Comissão Europeia. Até o momento, a Comissão Europeia evita se comprometer devido à divisão existente na UE sobre o tema. No Parlamento Europeu há maioria a favor da proibição, mas entre os governos dos 27 países da UE não.
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A Comissão Europeia até agora não forçou os governos a votarem e optou pelo ‘piloto automático’ da extensão temporária da licença. Se os especialistas agora escolherem o lado da maioria do parlamento e da maioria dos governos da UE, a Comissão Europeia não poderá mais ignorar esse parecer ‘com bom senso’.
Dentro da Comissão Europeia já se trabalha numa proibição do pesticida. Testes em animais mostraram que o mancozeb possui propriedades que perturbam hormônios e causam alterações neurológicas, como a doença de Parkinson. Pesquisas indicam que a doença de Parkinson é mais frequente no meio rural. O fabricante holandês nega essa ligação.
Enquanto isso, os fabricantes do pesticida tentam impedir a proibição por meio de uma forte lobby. Tanto a indústria quanto o setor agrícola seriam fortemente atingidos caso os produtos contendo o ingrediente ativo mancozeb sejam retirados. O mancozeb é, de longe, o produto mais usado na Holanda contra fungos e bactérias, com 1,4 milhão de quilos usados em 2016. Ele é aplicado, entre outras culturas, no cultivo de batatas, tulipas, cebolas e lírios.
Em 2018, a Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) alertou que o mancozeb causa danos comprovados ao sistema reprodutivo. Muitos países da UE, incluindo a Holanda, se opõem à prorrogação da autorização de mercado do mancozeb por esse motivo, mas até agora sem sucesso.

