A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) entende que não são necessárias regras adicionais da UE para o uso de técnicas de melhoramento CRISPR-CAS. Com isso, a EFSA segue uma decisão anterior do Tribunal de Justiça Europeu que determinou que os critérios atuais de avaliação de OGM para modificação de DNA em plantas são suficientes para o CRISPR-CAS.
Com este novo parecer da EFSA sobre CRISPR-CAS no melhoramento de plantas, publicado na semana passada, a aprovação total dessa técnica fica um passo significativo mais próxima. A Comissão Europeia havia solicitado esse parecer à EFSA. No início deste ano, dois cientistas receberam o Prêmio Nobel de Química pela invenção de uma “tesoura” para executar a técnica CRISPR.
Com essa forma de melhoramento é possível remover partes defeituosas ou prejudiciais do DNA (“cortá-las”) sem adicionar novo (ou diferente) DNA. Segundo os defensores, isso elimina o argumento dos opositores de que “nova natureza está sendo criada”.
Essa técnica já é aplicada na química e no desenvolvimento de medicamentos, mas seu uso na cadeia alimentar na UE ainda não é permitido. Especialistas concluem agora que os testes de segurança atuais são suficientes: a edição do genoma não apresenta riscos adicionais.
Segundo os opositores, a edição genética continua sendo uma tecnologia controversa, com grandes preocupações sobre a saúde humana e o meio ambiente. O Parlamento Europeu já manifestou anteriormente que os critérios de avaliação atuais da EFSA não são suficientes para os melhoramentos químicos atuais e proteção de culturas, muito menos para as novas técnicas de DNA.
“Com esse novo parecer, a EFSA apenas confunde as águas. Ao contrário do que afirmam, a edição genética provoca riscos novos e diferentes do melhoramento convencional”, alertou a eurodeputada luxemburguesa Tilly Metz (Verdes).
O professor holandês John van der Oost (Universidade Wageningen & Pesquisa) já havia demonstrado pouca compreensão à resistência contra Crispr-Cas. “A agricultura precisa dessa tecnologia para continuar alimentando a população mundial crescente”, disse recentemente o cientista à revista especializada LTO Nieuwe Oogst.
“Em todo o debate há atenção insuficiente aos enormes benefícios da edição genética. Se deixássemos tudo à natureza, talvez precisaríamos esperar alguns milhões de anos pela mutação correta, e esse tempo não temos.”
Também a presidente da WUR, Louise Fresco, defendeu a flexibilização das regras da UE para a técnica da tesoura de DNA. “O Nobel deve incentivar a UE a aliviar as regras para CRISPR-Cas, para que rapidamente possam ser lançadas no mercado variedades que contribuam para o Pacto Verde Europeu e o combate à fome. Assim, a Europa demonstra que trabalha por um futuro sustentável e socialmente responsável”, afirmou Fresco aos políticos da UE.

