O primeiro-ministro britânico Boris Johnson está preparando novas leis que anulam acordos anteriores com a UE sobre um tratado comercial. Isso indica que as negociações atuais sobre um acordo comercial entre o Reino Unido e a Europa fracassaram.
O governo Johnson está revertendo os acordos sobre um “campo de jogo nivelado” para empresas (sem concorrência desleal causada por subsídios estatais) e as disposições aduaneiras para a província britânica da Irlanda do Norte. Segundo o geralmente bem informado Financial Times, o primeiro-ministro Johnson anunciará uma declaração na quarta-feira.
Em outubro do ano passado, Johnson e a UE chegaram a um acordo sobre as condições para a saída britânica da UE. Londres e Bruxelas agora tentam concordar sobre um acordo comercial pós-Brexit, mas parece haver pouco progresso. “Se não conseguirmos chegar a um acordo até [15 de outubro], não vejo que haverá um acordo de livre comércio entre nós, e teremos que aceitar isso ambos e seguir em frente”, disse o primeiro-ministro Boris Johnson na segunda-feira.
Ele comparou a futura situação comercial britânica sem um acordo comercial com a UE à que tem com a Austrália, em que ambos os países estão sujeitos às tarifas comerciais globais da OMC. A indústria britânica e o setor agrícola consideram isso um cenário assustador, pois podem perder grande parte de suas exportações para países da UE e terão que pagar altas tarifas sobre os produtos importados da UE.
Ontem, os defensores de um Brexit duro dentro do Partido Conservador já insinuaram uma ruptura porque o governo britânico anterior de Theresa May teria feito desde o início ‘acordos errados’ com a UE, que prendem os britânicos a compromissos com a UE mesmo após o Brexit. Eles querem deixar que Johnson defina um Brexit duro sem acordo, embora a Câmara dos Comuns tenha rejeitado isso três vezes no ano passado.
Se não for alcançado um acordo, o Reino Unido terá uma relação comercial com a UE semelhante à que tem com a Austrália, o que “seria um bom resultado”, Johnson dirá na quarta-feira. “Como governo, estamos nos preparando, em nossas fronteiras e portos, para estar prontos. Teremos controle total sobre nossas leis, regulamentos e águas de pesca”.
Diplomatas da UE ficaram consternados e alertaram que tal passo prejudicaria o prestígio mundial do Reino Unido e aumentaria as chances de um Brexit turbulento em 31 de dezembro. Além disso, isso significa na prática que as negociações comerciais, que continuam esta semana em Londres, estão condenadas ao fracasso.
Uma fonte anônima disse ao Financial Times que o passo “claramente e conscientemente” vai minar os acordos de outubro passado para evitar uma fronteira rígida na Irlanda do Norte. Já houve choque na política da Irlanda do Norte pela “retratação” de Johnson.
Um acordo deve ser fechado até o final do ano, pois é quando termina o período de transição iniciado após o início do Brexit, no começo deste ano. Durante esse período de transição, o Reino Unido ainda segue as regras da UE.
Em uma declaração divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro no domingo, está que Johnson comunicará à UE na segunda-feira que 15 de outubro é o prazo para fechar o acordo, reiterando que Londres não quer estender a fase de transição atual.

