A União Europeia realiza nesta sexta-feira um ‘super-trílogo’ extraordinário com os ministros da Agricultura, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu. O objetivo é tentar alinhar uma posição sobre a nova política agrícola comum. No entanto, durante o Conselho de Agricultura nos últimos dias, ficou claro que ainda existem divergências fundamentais.
A ministra da Agricultura de Portugal, Maria do Céu Antunes, mantém confiança de que um ‘acordo definitivo’ possa ser alcançado nos próximos meses. Anteriormente, ela afirmou que isso deveria ocorrer até o final deste mês. O comissário da UE Janusz Wojciechowski espera que as negociações terminem em maio. Em junho, termina a presidência portuguesa da UE.
Os ministros defendem que as novas medidas climáticas e ambientais (Green Deal) a nível da UE devem ter um marco legal juridicamente vinculativo. A Comissão Europeia, por sua vez, já considera os objetivos ambientais da estratégia "Da Agricultura à Mesa" (Farm to Fork) como vinculativos. Porém, os ministros europeus da Agricultura rejeitam isso claramente: solicitam à UE textos juridicamente vinculativos.
Formalmente, o Green Deal e o Farm to Fork são apenas documentos estratégicos não vinculativos elaborados pela Comissão Europeia. Portanto, não são atos jurídicos que façam parte das leis da PAC. Segundo os ministros, o Green Deal e o F2F são independentes da PAC, e, portanto, também separados da distribuição dos subsídios da PAC.
Entre outros, Polônia, República Tcheca, Hungria e Croácia foram ainda mais contundentes. Eles reafirmaram que as recentes ‘recomendações’ da Comissão aos países da UE não possuem valor jurídico e por isso têm pouca influência.
O comissário da UE para Agricultura, Janusz Wojciechowski, disse que os países podem incorporar os elementos do F2F em suas próprias leis nacionais. Bruxelas insistirá na implementação das metas nacionais correspondentes, afirmou Wojciechowski.
O ministro da Agricultura da Espanha, Luis Planas, pediu finalmente a apresentação de uma ‘avaliação de impacto’ da estratégia da agricultura para a mesa, mas Wojciechowski novamente evitou apontar uma data. Segundo ele, não se trata apenas de avaliar os prejuízos (financeiros), mas também os benefícios. Contudo, uma avaliação dos aspectos positivos é “tecnicamente complexa”.
A crítica pela falta da avaliação de impacto também veio da França. O ministro da Agricultura, Julien Denormandie, ressaltou que os planos estratégicos nacionais só podem ser elaborados com base em textos juridicamente vinculativos. Ainda assim, ele enfatizou que a França apoia e aprova a direção geral do Green Deal.

