A polícia em Malta deteve um novo suspeito acusado de envolvimento no atentado a bomba contra a jornalista Daphne Caruana Galizia. O novo suspeito teria colocado o mandante do assassinato em contato com as pessoas que perpetraram o ataque, que tirou a vida da jornalista investigativa em 16 de outubro de 2017.
A prisão representa um novo avanço na investigação sobre o assassinato da jornalista. Os autores materiais do atentado já foram detidos há mais de um ano e já foram formalmente acusados. No entanto, o julgamento dos culpados ainda não começou, possivelmente porque há revelações iminentes sobre colaboração entre criminosos, empresários e altos políticos.
A jornalista assassinada havia revelado pouco antes de sua morte um escândalo relacionado aos Panama Papers. Ela acusou membros da equipe do primeiro-ministro Joseph Muscat de explorar empresas fictícias no exterior. A esposa do primeiro-ministro teria se beneficiado disso como proprietária da empresa Egrant, no Panamá. A empresa movimentava grandes quantias de dinheiro em transações com um banco no Azerbaijão.
Logo após o assassinato, o governo anunciou uma recompensa de um milhão de euros por informações que levassem aos responsáveis. O assassinato gerou protestos em Malta. Os manifestantes exigiram uma solução rápida para o caso e o fim da corrupção na política e nas autoridades.
Isso levou inicialmente em Malta a uma investigação que já revelou vínculos estreitos entre grandes criminosos e políticos e empresários. Um relatório de 1500 páginas está concluído, mas ainda não foi divulgado pela Justiça maltesa.
O fato de que corrupção e conchavos também dominam o sistema judicial de Malta ficou evidente também em um relatório devastador do parlamentar holandês Pieter Omtzigt. Como relator do Conselho da Europa, ele conduziu meses de investigação em decorrência do assassinato e das revelações sobre, entre outros temas, lavagem de dinheiro em Malta.
Segundo o relatório de Omtzigt publicado neste ano, as fragilidades de Malta constituem uma fonte de vulnerabilidade para toda a União Europeia. Quem é cidadão maltês é cidadão de toda a União Europeia. Um passaporte maltês permite viagens livres pelos 26 países europeus do espaço Schengen. E os bancos malteses dão acesso ao sistema bancário europeu. "Se Malta não pode ou não quer corrigir suas fragilidades, as instituições europeias devem intervir", afirmou Omtzigt em seu relatório.
Após essa crítica europeia, foi decidido em Malta instaurar uma nova investigação completamente independente. A missão da investigação também foi ampliada. O inquérito original focava na "morte" da jornalista falecida, enquanto o novo escopo faz repetidas referências ao assassinato.
Além disso, os resultados anteriores da investigação serão tornados públicos e a família de Daphne Caruana Galizia poderá ler o relatório completo. Também dois dos três membros da comissão investigativa foram substituídos após consulta à família da jornalista assassinada, que não concordava com as nomeações anteriores.
Agora, também se estabelece uma ligação com cerca de vinte atentados anteriores a bomba em Malta nos últimos dez anos. Isso envolve ainda a participação de algumas grandes empresas e políticos (ex-) proeminentes.

