Finlândia apresentou uma nova proposta para romper o impasse em torno do orçamento plurianual (2021-2027) da União Europeia. A presidência rotativa finlandesa sugere aumentar o volume do orçamento da UE para 1,07 por cento do produto interno bruto europeu (PIB). Isso é menos do que a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu solicitaram, mas mais do que alguns países da UE estão dispostos a pagar.
A proposta fica aproximadamente entre o desejo da nova Comissão Europeia (1,11 por cento do PIB da UE) e o orçamento atual (1,00 por cento). A Finlândia reduz em 12 por cento os Fundos de Coesão para apoiar regiões economicamente mais frágeis. Além disso, o orçamento da agricultura também sofrerá um corte significativo, se depender da Finlândia. Esse orçamento será 13 por cento menor.
O corte de 13 por cento nos gastos com Agricultura será duro para os países agrícolas, mas já era esperado e faz sentido. A cada sete anos, o orçamento para a política agrícola comum é definido, e há 7, 14 e 21 anos também havia alertas de que havia dinheiro da UE demais indo para empresas agrícolas.
Devido às eleições sucessivas em vários países da UE, à confusão em torno do Brexit, à contínua crise migratória e ao medo de uma possível nova crise financeira, as negociações para a reforma da PAC ficaram emperradas. Agora, o início está agendado para meados de 2021 em Bruxelas. O fato de já haver cortes significativos é um mau sinal.
A proposta original da (antiga) Comissão para o novo orçamento plurianual já estava sob forte crítica. A tendência era: ainda menos dinheiro para a agricultura (pilar 1) e um deslocamento maior para medidas ambientais e climáticas (pilar 2), além de uma possível redução linear do orçamento agrícola total em 10 por cento. Isso significa um corte severo no apoio à renda. Sobre isso, o novo comissário agrícola (polonês) Wojciechowski sabiamente permaneceu em silêncio durante sua audição no Parlamento Europeu, caso contrário teria perdido o cargo imediatamente.
Com 1,07 por cento, a proposta finlandesa permanece acima do tamanho do orçamento atual. Isso desagrada quatro países do norte da UE, como Holanda e Alemanha. Eles acham que o orçamento europeu não deve crescer, mas sim diminuir devido à saída do Reino Unido. Esses Estados-membros querem manter o orçamento em 1 por cento do PIB.
Com essa posição, esses quatro líderes governamentais caminham para um confronto com os outros países da UE, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu, que consideram o limite rígido de 1 por cento das despesas irrealisticamente baixo.
Uma decepção para os ‘quatro mesquinhos’, como são chamados os signatários da carta em Bruxelas, é que a Alemanha (a maior financiadora da UE) não pretende aceitar o limite zero. Segundo envolvidos, a chanceler Merkel não quer assinar porque acha o 1,00 por cento muito rígido. Ela prefere manter as mãos livres para um compromisso que acabe sendo mais caro.

