O Parlamento Europeu votou contra a ratificação do acordo comercial com o Mercosul durante a sessão plenária. Com isso, a UE terá que renegociar com os quatro países sul-americanos sobre a proteção das florestas tropicais.
Aprovado por 345 votos a favor, 295 contra e 56 abstenções, o Europarlamento afirma que o Brasil age em desacordo com “os compromissos do Acordo de Paris, especialmente no combate ao aquecimento global e na proteção da biodiversidade”.
Segundo a maioria do Parlamento Europeu, esse acordo já não cumpre os padrões da UE para políticas climáticas e proteção ambiental. Os porta-vozes do setor agrícola em Bruxelas reagiram positivamente à resolução que considera o tratado negociado pela Comissão Europeia “não suficientemente bom”.
O presidente da Irish Farmers’ Association (IFA), Tim Cullinan, saudou a votação e enfatizou que o acordo entre a UE e o Mercosul na forma atual não pode ser ratificado. Isso não significa que os acordos comerciais já implementados precisam ser revertidos, mas sim que a Comissão Europeia deve retomar negociações sobre os pontos controversos.
As críticas são principalmente direcionadas ao Brasil, que não age adequadamente contra o desmatamento ilegal na floresta tropical. Também há muitos comentários sobre as condições de trabalho muitas vezes precárias nos quatro países sul-americanos do Mercosul. A Comissão Europeia já reconhece que o Mercosul não poderá avançar caso o Brasil não cumpra as normas ambientais.”
Em muitos países da UE, especialmente no setor agropecuário, há forte crítica contra o acordo do Mercosul por abrir caminho para a importação barata de carne e alimentos sul-americanos, em prejuízo dos produtos europeus. Durante uma recente cúpula informal de ministros da UE, a ministra alemã da Agricultura Julia Klöckner disse estar cética quanto à ratificação do acordo na forma atual,” afirmou ela. Também a França já se posicionou contra.
Em junho, o parlamento dos Países Baixos pediu ao governo Rutte que informasse a Comissão Europeia (CE) sobre a retirada do apoio de Holanda ao acordo Mercosul. Na moção parlamentar mencionavam-se, entre outros pontos, o aumento da concorrência desleal para os agricultores europeus e a falta de proteção da região amazônica e prevenção do desmatamento ilegal.

