Milhares de voluntários da Cruz Vermelha na Áustria, República Tcheca, Moldova, Polônia e Romênia trabalham dia e noite para atender às necessidades das pessoas afetadas. Nos últimos dias, as fortes chuvas nesses países causaram extensas inundações, levando a casas alagadas, falta de energia, interrupção do transporte e danos na infraestrutura. O primeiro-ministro da Hungria, Orbán, adiou uma visita e discurso planejados no Parlamento Europeu para outubro. Na Polônia, o premier Donald Tusk declarou uma forma de estado de emergência.
Espera-se que o Parlamento Europeu em Estrasburgo discuta na quarta ou quinta-feira uma possível operação de ajuda para as áreas afetadas. Inicialmente, os políticos da UE haviam agendado para tratar apenas da indenização para agricultores devido a perdas sofridas por fortes chuvas e geadas precoces ainda no início deste ano. Porém, a dimensão do desastre atual, muito maior, obriga Bruxelas a tomar novas medidas.
Ainda não há uma imagem clara sobre a extensão do desastre das inundações e os prejuízos financeiros. Até agora, a maior parte das informações vêm de cidades e vilarejos, faltando ainda um panorama do campo. Os rios de Europa Central que transbordaram invadiram principalmente áreas baixas urbanas com ruas estreitas, mas em áreas rurais levemente mais elevadas, grandes campinas e plantações estão submersas sob água de rio poluída.
As imagens televisivas dos rios selvagens atuais mostram muitas semelhanças com as inundações que atingiram partes da Alemanha e Bélgica alguns anos atrás, chegando até Valkenburg (Países Baixos).
"Como a Europa está esquentando muito mais rápido que o resto do mundo, enfrentamos um futuro possível em que tais inundações não serão mais consideradas históricas, mas frequentes ou até anuais. Precisamos nos preparar para nos adaptar a essa nova realidade", afirma Andreas von Weissenberg, chefe da área de Saúde, Desastres, Clima e Crises na Europa do Crescente Vermelho Internacional.
Uma das regiões mais gravemente afetadas é a Baixa Áustria, onde 1.750 pessoas tiveram que deixar suas casas e buscar abrigo temporário. Muitos já viveram uma crise semelhante durante as inundações de 2002 e agora temem perder tudo novamente.
Na República Tcheca, rompeu uma barragem de um lago e, na Polônia, uma cidade com 40.000 habitantes precisa ser evacuada. O prefeito pediu aos moradores para irem para os andares superiores das casas.
No leste da Romênia, as inundações já causaram seis mortes. Nas províncias mais afetadas, Galati e Vaslui, mais de 5.000 casas foram inundadas e centenas de pessoas evacuadas. A Cruz Vermelha Romena distribuiu 20 toneladas de alimentos e água potável e fez um apelo por doações para apoiar as pessoas atingidas.
Outros países da região, incluindo Alemanha, Hungria e Eslováquia, permanecem em estado máximo de alerta, com equipes da Cruz Vermelha colaborando com as autoridades locais e prontas para agir. Espera-se que os níveis das águas — especialmente nos rios Danúbio, Elba e Oder — atinjam picos ao longo da semana.
Os cientistas do clima dizem estar preocupados com os danos, mas não surpresos com a intensidade. Cientistas são cautelosos ao atribuir diretamente a chuva extrema à influência humana, pois muitos fatores afetam o ciclo da água. Embora seja amplamente conhecido que o ar mais quente pode reter mais umidade, isso também depende da quantidade de água disponível.
Segundo Sonia Seneviratne, cientista climática da ETH Zürich, análises diretas das inundações na Europa Central mostraram que a maior parte do vapor d’água vinha do Mar Negro e do Mar Mediterrâneo. Essas áreas aqueceram devido às mudanças climáticas causadas pelo homem, provocando maior evaporação de água no ar.
"Em média, a intensidade dos eventos de precipitação pesada aumenta 7% para cada grau de aquecimento global", disse ela. "Já temos um aquecimento de 1,2 graus Celsius, o que significa que os eventos de fortes chuvas são em média 8% mais intensos."

