Toda a agricultura e o abastecimento alimentar da Europa estão enfrentando consequências drásticas da guerra russa contra Ucrânia. As sanções contra bancos e empresas russas também serão sentidas pelos cidadãos e empresas da UE.
Sentiremos isso em nossos bolsos e pagaremos por isso em euros, mas os ucranianos sentem na pele e pagam com suas vidas, disse o presidente Norbert Lins da Comissão Europeia de Agricultura nesta segunda-feira em Bruxelas.
AGRI alto funcionário Michael Scannell esclareceu em um breve resumo que a guerra de Putin na Ucrânia não está apenas afetando o setor agrícola e de horticultura no momento, mas também levará a mudanças profundas nos próximos anos. Segundo ele, a UE terá que se preparar para uma indústria agrícola e alimentar sem importação de energia russa (gás e petróleo) e importação de matérias-primas russas.
Quase todos os membros da comissão de agricultura apoiaram as medidas recentes da Comissão Europeia contra o regime do presidente russo. Também reconheceram “que nós também teremos que pagar uma parte do preço”.
Na quarta-feira, Bruxelas realizará uma reunião extraordinária dos ministros da Agricultura. Nessa reunião do Conselho de Agricultura, a presidência francesa apresentará “uma carta” que colocará amplamente na agenda toda a segurança alimentar europeia e a independência da energia e matérias-primas russas.
No curto prazo, a exportação de grãos russos e ucranianos será interrompida. Ambos os países são responsáveis por cerca de 30% do comércio mundial de grãos. Até o momento, não há danos às instalações de carga e transbordo nos portos do Mar Negro, na Rússia e na Ucrânia, que, segundo relatos não confirmados, foram bloqueados por minas marítimas, fazendo com que as seguradoras deixassem de cobrir novos embarques.
Devido aos combates atuais, não só a colheita atual na Ucrânia não pode ser recolhida, processada e enviada, como também o plantio do trigo de verão não será possível. Assim, a próxima colheita também será perdida, enquanto os setores de suínos e aves também serão afetados.
Segundo os primeiros estudos da Comissão Europeia, o comércio com a Rússia também será muito mais afetado. Com a interrupção dos pagamentos para o comércio “normal” (não gás nem petróleo), as exportações de frutas, flores e plantas sofrerão novos golpes.
Ucrânia e Rússia são não apenas dois dos maiores exportadores de alimentos da Europa, como também grandes fornecedores de energia (gás e petróleo) e de matérias-primas agrícolas (fertilizantes). Espera-se que os preços de compra, que já subiram muito nos últimos meses, subam ainda mais. O eurodeputado holandês Bert-Jan Ruissen (SGP) já pediu à Comissão Europeia que monte ‘pacotes de apoio’ para os setores mais atingidos e libere fundos para isso no orçamento da UE.
Ruissen também pediu uma reavaliação da estratégia alimentar ‘do campo à mesa’, agora que a Europa terá que trabalhar para alcançar a autossuficiência alimentar completa. Outros, como o alemão Martin Häusling (Verdes), defenderam acelerar os trabalhos para uma produção própria de energia sustentável e diminuir a importação e o uso de fertilizantes (russos).
A presidente Ursula von der Leyen da Comissão Europeia afirmou anteriormente que a UE deve acelerar o Green Deal. Investir em energia renovável própria da UE era até agora principalmente uma questão ambiental, mas tornou-se uma necessidade estratégico-militar com o avanço de Putin, disse Von der Leyen.
O eurodeputado Peter van Dalen (União Cristã) acredita que a União Europeia deve usar ao máximo todas as sanções com seus aliados. “O criminoso de guerra no Kremlin merece a punição mais severa possível e deve ser levado diante do Tribunal Penal Internacional em Haia, assim como do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em Estrasburgo.”

