Sete países da UE, incluindo Países Baixos, ameaçam agir por conta própria na implementação do rótulo alimentar Nutriscore, desenvolvido pela França. Vários países mediterrâneos da UE e também associações agrícolas europeias são contra esse rótulo francês. Eles preferem o Nutrinform italiano, que já está em uso na Itália.
Como há muito tempo existem grandes divergências entre os ministros da agricultura dos países da UE sobre os dois sistemas de medição, a Comissão Europeia está atualmente realizando uma 'consulta pública' sobre as várias opções. Esses sete países, contudo, não querem esperar e dizem estar planejando tornar o Nutriscore obrigatório em seus países para todos os alimentos e produtos alimentícios.
Bélgica, Alemanha, França, Luxemburgo, Países Baixos, Espanha e Suíça anunciaram no final da semana passada uma colaboração internacional coordenada que facilitará o uso do rótulo alimentar Nutriscore na parte frontal das embalagens.
Nutriscore é um rótulo com código de cores nas embalagens de alimentos que indica o valor nutricional de alimentos e bebidas. Seu objetivo é ajudar os consumidores a escolherem produtos mais saudáveis. Como parte da iniciativa Farm-to-Fork (F2F), a Comissão Europeia pretende apresentar até o final de 2022 uma proposta para rotulagem alimentar abrangente na UE.
Os Estados membros da UE debatem sobre o assunto há mais de um ano. No final do ano passado, um grupo de países liderado pela Itália rejeitou o Nutri-Score francês por não levar em consideração os 'costumes regionais de preparo e consumo', referindo-se ao uso de muitos figos e óleo para cozinhar. No sistema francês, esse uso recebe a mais alta classificação (‘não saudável’) D. Isso pode também afetar outros óleos do sul da Europa.
Segundo o comissário europeu para Agricultura Janusz Wojciechowski, todos os países concordam que um sistema de rotulagem deve ser cientificamente fundamentado. O lobby europeu dos agricultores COPA-COGECA juntou-se aos protestos italianos contra o sistema francês Nutri-Score defendido pela França. Em contrapartida, organizações europeias de consumidores apoiam o rótulo francês.

