A Comissão Europeia tenta, com uma proposta suavizada sobre investimentos em novas centrais a gás natural e nucleares, evitar um conflito iminente entre os países da UE. Os Comissários da UE vazaram uma proposta fiscal na qual investimentos em energia nuclear e gás natural são considerados em alguns casos “ecologicamente sustentáveis”.
A proposta foi enviada aos países da UE, mas ainda não foi oficialmente divulgada e não foi remetida aos grupos no Parlamento Europeu. Segundo as novas regras fiscais da UE (‘taxonomia’), os investimentos em instalações nucleares só receberiam um rótulo verde se forem usadas as tecnologias mais avançadas. Também deve haver fundos suficientes e um plano concreto para o armazenamento e tratamento dos resíduos nucleares.
Novas centrais elétricas a gás seriam permitidas apenas se emitirem muito menos CO2. As “exceções” propostas agora valeriam somente pelos próximos 20 anos.
A proposta é altamente controversa e já provocou no mês passado debates intensos entre chefes de Estado e de Governo europeus. França e cerca de dez outros países defendem a energia nuclear, pois ela pode servir como uma ferramenta na transição para a neutralidade climática que a UE estabeleceu para 2050. Mas países como Áustria e Alemanha são categoricamente contra, por causa do perigo dos resíduos nucleares.
A maior objeção dos movimentos ambientais e de muitos países da UE é que as novas centrais a gás e nucleares, financiadas com apoio de Bruxelas, freiam o desenvolvimento de fontes de energia realmente limpas como o sol e o vento. Eles temem que investidores continuem a aplicar seu dinheiro em energia não tão ecológica, reduzindo assim os fundos para investimentos em inovação.
O eurodeputado holandês Bas Eickhout (GroenLinks) falou em “greenwashing” e disse recentemente “que podemos esquecer o Acordo de Paris”. O comissário para o Clima, Frans Timmermans, declarou anteriormente que, no que lhe diz respeito, subsídios para novas centrais nucleares “não são necessários”, embora a presidente da Comissão Ursula von der Leyen tenha defendido esses subsídios.
Segundo fontes, a chance de os oponentes reunirem uma maioria qualificada no Conselho Europeu para alterar a posição da Comissão é pequena. São necessários 15 Estados-membros que representem juntos 65% da população europeia. A possibilidade de uma maioria de rejeição no Parlamento Europeu seria um pouco maior.
O compromisso de permitir novos investimentos em centrais a gás e nucleares sob condições mais rígidas às vezes é visto como uma vitória para o presidente francês Macron. Ele defende isso há anos e será presidente da UE no próximo semestre.
Exatamente no último fim de semana, três centrais nucleares foram fechadas na Alemanha. O país manterá outras três, que fecharão daqui a um ano. A Alemanha abandona completamente a energia nuclear para geração elétrica. A decisão foi tomada em 2011, motivada diretamente pelo desastre nuclear de Fukushima, no Japão.
Na Holanda, a central nuclear em Borssele, na Zelândia, é atualmente a única que fornece eletricidade. Essa usina nuclear, com 485 megawatts, responde por cerca de 3% da eletricidade necessária no país. É uma central antiga, inaugurada em 1973. A central nuclear de Dodewaard foi a primeira usina de energia nuclear holandesa, inaugurada em 1969. A produção de eletricidade nessa usina foi interrompida em 1997.

