A oposição de esquerda no Parlamento Europeu ainda ameaça destituir a Comissão Europeia caso os subsídios de recuperação sejam pagos à Polônia antes que Varsóvia reverta o controverso enfraquecimento do judiciário polonês. Mas os liberais centristas em Estrasburgo aguardam um pouco antes de apresentar moções contra Von der Leyen.
Nas últimas meses, o Parlamento Europeu, por meio de cerca de dez moções e emendas (não vinculativas), insistiu que os bilhões da corona não deveriam ser pagos à Polônia ainda. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, aconselhou na semana passada os países da UE a aprovarem o plano de recuperação corona polonês. Com isso, Varsóvia poderá receber até 35,4 bilhões de euros em subsídios e empréstimos.
Na próxima semana, os países da UE devem aprovar formalmente esse plano de recuperação. Muitos eurodeputados já os convocaram a vincular essa aprovação a 'condições para pagamento'. Até o momento, eles se recusaram a fazê-lo.
Sobre possíveis sanções financeiras contra a Polônia, a Comissão Europeia está há mais de um ano dividida: o Parlamento Europeu exige medidas punitivas contra a Polônia “resistente”, mas os chefes de governo dos 27 países da UE querem resolver a divergência com seu colega Morawiecki de forma amigável.
A presidente da Comissão Ursula von der Leyen assegurou aos eurodeputados na terça-feira que cumprirá todos os acordos europeus relacionados ao fundo nacional de recuperação da corona. “Deixe-me ser muito clara: sei que alguns de vocês são céticos, mas garanto que nenhum dinheiro será liberado antes que as reformas judiciais na Polônia sejam implementadas.”
Von der Leyen contestou a ideia de que estaria ignorando processos jurídicos em andamento contra a Polônia. O governo conservador PiS da Polônia acredita que as leis europeias não estão acima das leis nacionais. “Aprovar o plano de recuperação polonês não significa que nossos outros processos sobre o Estado de Direito na Polônia serão encerrados. Continuaremos com os processos de infração e iniciaremos novos, se necessário.”
Com essa declaração, Von der Leyen acalmou muitos políticos da UE. Alguns parlamentares liberais – incluindo Guy Verhofstadt (Open Vld) e Sophie in Veld (D66) – haviam ameaçado até mesmo com uma moção de censura que poderia forçar a renúncia de toda a Comissão.
Mas, após a intervenção de Von der Leyen, a maioria dos eurodeputados adotou um tom mais moderado. Os Verdes, porém, afirmaram que estão mantendo “todos os meios” à disposição para responsabilizar a Comissão, “inclusive uma demissão forçada”.

