Os 28 países da UE temporariamente não fornecem mais armas para Turquia, mas decidiram não estabelecer um embargo total às armas. Os ministros das Relações Exteriores também emitiram por unanimidade uma condenação à operação militar turca.
Esta é a primeira vez que os países europeus da OTAN condenam outro país da OTAN por uma ação militar. Alguns países da UE, incluindo Holanda, Alemanha e França, já haviam suspendido o fornecimento de armas. Os países apelam novamente para que a Turquia “imediatamente” pare a invasão na Síria.
Não houve um embargo legalmente sólido porque sua implementação é demorada. Antes, não se esperava que a UE condenasse unanimemente a operação. Especialmente o Reino Unido e alguns países do Leste Europeu haviam se oposto, segundo diplomatas, mas acabaram cedendo.
Os ministros da UE também deram um novo passo contra as atividades ilegais de perfuração da Turquia no Mediterrâneo perto do Chipre. Eles pediram à chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, que continue elaborando sanções para pessoas e organizações turcas responsáveis por isso.
O ministro holandês Stef Blok disse esperar que o presidente turco Erdogan ache “muito desagradável” que os 28 países da UE condenem unanimemente a operação militar turca no norte da Síria e suspendam o fornecimento de armas para Ancara. Blok comentou isso depois que a UE inteira tomou a posição que a Holanda já tinha adotado na semana passada, segundo ele.
Na semana passada, poucos países apoiavam a posição holandesa. Segundo Blok, as “imagens terríveis” vindas da área do conflito deram o impulso necessário aos últimos países para mudar de opinião.
A Holanda ainda não descarta outras sanções, como a suspensão de bilhões em apoio à adesão do candidato a membro da UE. Cada vez mais políticos, inclusive no Parlamento Europeu, acham que o processo de ‘adesão’ da Turquia deve ser finalmente encerrado.
Os países da UE alertam a Turquia sobre o perigo de que combatentes do Estado Islâmico (IS) possam escapar, já que os curdos não conseguem mais mantê-los presos ou vigiá-los. Os curdos e os Estados Unidos já pediram repetidamente aos países da UE que assumam seus jihadistas ‘estrangeiros’ do IS e os processem judicialmente. Mas a maioria dos países da UE ainda recusa esse pedido.
No campo de batalha no nordeste da Síria, já ficou claro que as milícias curdas encurraladas da frente síria anti-Assad buscam segurança ao se abrigo do exército governamental sírio. Os curdos da SDF autorizaram o exército governamental a entrar nas grandes cidades curdas. Com isso, os curdos, após anos de combate, devolvem o território sírio que haviam tomado de volta à Síria.

