A Comissão Europeia apresentou na quarta-feira as suas próprias ideias para uma conferência de dois anos sobre modernização e reforma dentro da União Europeia. A Comissão não espera alterações abrangentes nos tratados, nem mudanças estruturais profundas.
A Comissão Europeia espera dar início à conferência em 9 de maio, exatamente setenta anos após a Declaração Schuman, que deu o pontapé inicial à integração europeia.
Na semana passada, o Parlamento Europeu já afirmou que essa conferência deve servir principalmente para "ouvir os cidadãos europeus". Os governos dos países da UE apresentarão na próxima semana a sua visão sobre o futuro da UE. Em seguida, as três instituições deverão chegar a um acordo entre si sobre os objetivos, o âmbito e a organização da conferência, que deverá durar cerca de dois anos.
A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, prometeu no verão passado uma conferência para uma maior democratização da União Europeia. A conferência é mais ou menos uma resposta ao descontentamento persistente em relação ao funcionamento das instituições da UE. Pouco depois de assumir o cargo, há alguns anos, o jovem presidente francês liberal Macron defendeu com entusiasmo algumas reformas e inovações amplas, que na época foram rejeitadas amigavelmente por muitos outros líderes europeus.
O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, falou em uma "pedra angular para construir a nova Europa". Segundo ele, as crises da última década, como o Brexit, demonstraram as limitações do modelo atual de governança. A UE precisa ser mais democrática, transparente e eficaz, com ampla participação dos cidadãos europeus, concluiu.
O crescente sentimento anti-Europa no Reino Unido durante o processo do Brexit e as crescentes tendências nacionalistas em alguns países da Europa Oriental deixaram cada vez mais claro que são necessárias adaptações nos procedimentos e regras. Em maio do ano passado, logo após as eleições europeias, os líderes governamentais e chefes de Estado afastaram abruptamente os “spitzenkandidaten” do Parlamento Europeu para cargos elevados na UE.
Isso reavivou a que é uma luta de décadas pelo poder entre os países da UE e o Parlamento Europeu sobre quem tem a palavra final sobre a organização executiva da Comissão Europeia. Além disso, alguns temem que a UE esteja secretamente buscando mais federalismo e mais novas tarefas e competências.
O eurodeputado holandês Peter van Dalen (ChristenUnie) já se mostrou cético. Segundo ele, poucos aprendem com o descontentamento que acabou levando ao Brexit. Os Conservadores e Nacionalistas Europeus planejam realizar uma conferência própria.

