Em uma versão vazada (que será apresentada na quarta-feira), cabe aos países da UE decidirem quando e como coletar amostras de solo. Também não é estabelecida uma meta quantificada para a saúde do solo. Assim, Bruxelas ignora um apelo feito em março por grupos ambientalistas e várias empresas internacionais para definir objetivos vinculativos que previnam erosão e poluição do solo.
A UE possui há muito tempo leis para qualidade do ar e da água, mas ainda não para o solo. Segundo relatórios anteriores da UE, entre 60 e 70 por cento do solo não está saudável e sofre erosão, compactação, contaminação e salinização. A Agencia Europeia do Ambiente estima que 2,8 milhões de locais têm solo contaminado. A quantidade de terra agrícola por pessoa na UE foi reduzida pela metade nos últimos 50 anos, conforme o documento.
Uma proposta legislativa anterior, de 2010, fracassou devido à oposição de Estados-membros, incluindo Alemanha e França. Naquela ocasião, opositores afirmaram que a Comissão Europeia extrapolava suas competências. Como parte dos planos do Pacto Ecológico e do Green Deal, a nova regulamentação do solo limpo foi anunciada no final de 2021.
Na ocasião, o governo holandês declarou em uma primeira reação que existem diferenças significativas entre os países e regiões da UE quanto à condição do solo, uso do solo e interação nos sistemas solo-sedimento-água. O governo defendeu espaço suficiente para uma tradução nacional dos objetivos europeus, algo que aparentemente está incluído na nova regulamentação.
Paul Polman, ex-chefe da Unilever que atualmente faz campanha por causas ambientais, disse ao Financial Times que também espera que metas "mais rigorosas" sejam desenvolvidas, mas que estas devem ser "muito específicas para local e cultivo".
A ex-secretária de Estado Stientje van Veldhoven, atualmente vice-presidente da seção europeia do World Resources Institute, afirmou que "uma boa saúde do solo é essencial para reduzir as emissões de carbono" e que a "execução ambiciosa" das medidas pelos países da UE seria "a chave". Ela também foi diplomata internacional, representou Holanda na União Europeia e trabalhou em pesquisas ambientais da UE.

