O Comissário Europeu para o Comércio, Phil Hogan, quer verificar se o novo acordo comercial entre os Estados Unidos e a China está em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
As duas grandes potências econômicas abandonaram o procedimento internacional usual e negociaram bilateralmente, sem a intervenção da OMC. “Além disso, todo o acordo ainda é bastante vago”, acrescentou o Comissário da UE de origem irlandesa.
Washington e Pequim firmaram ontem um acordo sobre a “primeira fase” do que deve se tornar um amplo acordo comercial entre as duas potências. Algumas tarifas alfandegárias recíprocas serão reduzidas e, em troca, a China se compromete a comprar, em dois anos, 200 bilhões de dólares adicionais em bens e serviços americanos.
Cerca de metade das tarifas punitivas americanas sobre importações chinesas continuarão vigentes até que a fase dois do acordo comercial seja implementada. O presidente americano Donald Trump afirmou que assim quer “manter cartas na manga” para futuras negociações. Ainda não foi estabelecida a data para o início das negociações da fase 2.
O presidente Trump começou, há dois anos, a impor impostos adicionais sobre produtos chineses importados, tornando-os mais caros nos EUA. Sua intenção era incentivar os americanos a comprar mais produtos nacionais, beneficiando as empresas do próprio país. Segundo muitos economistas, as empresas chinesas conseguem vender seus produtos a preços baixos no mercado mundial porque não seguem diversas normas trabalhistas e ambientais, além de receberem apoio financeiro do governo chinês.
Contra esse subsídio estatal chinês, os EUA e a União Europeia vêm combatendo há alguns anos, mas a China não quer estabelecer acordos vinculantes globais sobre o assunto. Agora que os Estados Unidos parecem dispostos a negociar tarifas diretamente com a China, fora da OMC, a UE enfrenta a opção de fazer o mesmo ou de impor tarifas de importação mais elevadas sobre produtos chineses.
O Comissário Hogan também manifestou críticas quanto ao conteúdo do acordo. Ele afirmou que várias reformas estruturais que a União Europeia e os Estados Unidos desejam ver na China não foram abordadas. Ele disse que esses pontos devem constar na mesa durante a segunda fase das negociações.

