Os cinco países atuam como precurssores para outras nações da UE; suas discussões contam com a presença de um observador da Comissão Europeia. O Grupo dos Cinco se reunirá novamente no final deste mês, desta vez em Munique.
Itália
Notavelmente ausente das discussões está a Itália, que no ano passado já construiu seu próprio centro de retorno na Albânia, antecipando-se aos atos europeus. Para grande desapontamento da primeira-ministra italiana Meloni, a Itália não pôde utilizar essa prisão de retorno na Albânia por determinação de tribunais italianos. Eles consideraram as expulsões forçadas de requerentes de asilo rejeitados ilegais e possivelmente uma violação dos direitos humanos.
A Alemanha, Áustria, Grécia, Dinamarca e Países Baixos esperam que esse centro esteja operacional em 2027. Os planos foram viabilizados pelas novas regras migratórias europeias. Em junho, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rigorosas para acelerar a deportação de migrantes.
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Com outros
Os cinco países também querem envolver organizações internacionais na elaboração dos detalhes. A Dinamarca informou que está buscando diálogo com a Organização Internacional para Migração e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. O ACNUR declarou não ter recebido detalhes da proposta e, portanto, não pode comentar o conteúdo das decisões.
Enquanto isso, o Grupo dos Cinco quer seguir adiante. Os países já discutiram seus planos migratórios várias vezes este ano e se reunirão novamente no final de setembro, desta vez em Munique. A Dinamarca espera estar pronta até o final de 2027 para efetivamente enviar migrantes a um centro de retorno conjunto fora da UE.
Preocupações
Organizações de direitos humanos têm grandes objeções aos planos. Elas temem que migrantes fora da Europa acabem em instalações que se assemelham a prisões, recebam proteção jurídica insuficiente ou fiquem detidos por longos períodos. Há também alertas sobre possíveis perseguições, maus-tratos e outras violações dos direitos fundamentais nos países para onde os migrantes são enviados.
O Conselho da Europa também alertou sobre as consequências jurídicas. Segundo a organização, centros de retorno fora da UE acarretam riscos significativos. Migrantes devem ter acesso contínuo a assistência e proteção jurídicas. Essa responsabilidade não desaparece quando um requerente de asilo rejeitado é colocado fora do território da UE.
Repasse de responsabilidades
Críticos situam o plano dentro de uma tendência maior em que países europeus transferem partes de sua política migratória para países mais pobres. Ativistas africanos e europeus alertam que isso significa não apenas terceirizar a vigilância de fronteiras e a detenção, mas também responsabilidades em relação a migrantes e refugiados. Eles se opõem a acordos financeiros ou diplomáticos nesse sentido.

