Centenas de embaladores de carne no sul do Brasil testaram positivo para o coronavírus, em meio a crescentes preocupações globais na indústria de processamento de carne.
Como resultado, assim como nos Estados Unidos, Alemanha e Holanda, agora também há risco de fechamento de mais frigoríficos no Brasil. A China, um dos maiores importadores mundiais de alimentos, já está considerando possíveis interrupções no abastecimento alimentar e começou a comprar em outros países.
A processadora brasileira de carne BRF informou que quase sete por cento dos trabalhadores testados deram positivo para o vírus. Eles foram afastados preventivamente. Empresas brasileiras, incluindo a BRF e a concorrente JBS SA, enfrentam surtos que em alguns casos já forçaram o fechamento de fábricas.
A BRF é uma das muitas empresas alimentícias no Brasil que, para continuar operando, assinaram compromissos com o governo federal para melhorar a proteção dos trabalhadores nas fábricas de carne. A Aurora, uma das maiores empresas alimentícias do Brasil, informou na sexta-feira, em comunicado, que realizará testes em mais de 26 mil trabalhadores em 16 fábricas.
Autoridades chinesas têm insistido para que suas empresas e a indústria alimentícia aumentem os estoques. “Eles nos aconselharam a ampliar os estoques e manter a oferta acima do normal. No Brasil, a situação não está boa”, alertou um comprador estatal chinês há duas semanas. Ele se referiu ao Brasil como o principal fornecedor chinês de soja e grande exportador de carne. Uma das maiores preocupações é como a epidemia na América do Sul pode afetar o abastecimento para a China.
Possivelmente a China está se preparando para uma segunda onda do coronavírus em outras partes do mundo, o que gerou preocupações sobre as cadeias alimentares e o fornecimento global. “Há risco de falhas na cadeia de suprimentos devido a infecções por coronavírus. Um porto de embarque ou de chegada, por exemplo, pode ter que fechar”, disse um comerciante chinês sênior.
O embarque brasileiro de soja já sofreu atraso em março. Desde então, as chegadas nos portos chineses vindas do Brasil voltaram ao cronograma, mas o conglomerado agrícola chinês COFCO e o armazenador de grãos Sinograin já deslocaram parte de suas compras no Brasil para os Estados Unidos.
A China também é um grande importador de carne e enfrenta uma grande escassez interna após o surto da peste suína africana. A importação dos Estados Unidos – o maior exportador mundial de carne suína – deverá aumentar, prejudicando principalmente o Brasil.

