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Burger King quer vacas em dieta para reduzir o cocô e fazer hambúrgueres

Iede de VriesIede de Vries

A rede americana de fast food Burger King iniciou uma campanha publicitária incentivando os produtores de gado dos Estados Unidos a fornecerem alimentação diferente às vacas, a fim de reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Em um vídeo publicitário no YouTube, crianças vestidas com chapéus de cowboy cantam sobre os efeitos ambientais do metano causado pelo cocô e pelos gases das vacas. O Burger King afirma que adicionar capim-limão à alimentação das vacas facilita a digestão e pode diminuir drasticamente as emissões de metano.

Porém, líderes rurais responderam que a campanha publicitária da multinacional americana é “condescendente e hipócrita”.

Em uma pesquisa realizada em parceria com a Universidad Nacional Autónoma de México e a UC Davis para desenvolver uma nova dieta para o gado, o Burger King revelou que os estudos indicam que suplementar a alimentação das vacas com capim-limão seco pode reduzir as emissões de metano em média em 33%.

Hambúrgueres feitos de gado alimentado com essa dieta estão disponíveis este mês em restaurantes Burger King em várias cidades americanas. O vídeo publicitário faz sucesso no YouTube, já tendo sido assistido por mais de 2 milhões de pessoas e gerado milhares de comentários — alguns zombam da campanha, citando um “garoto que iodela”, enquanto outros juram não voltar ao Burger King.

Alguns cientistas também criticaram a mensagem do Burger King por focar nos gases intestinais das vacas, em vez de abordar os produtores agrícolas. A National Cattlemen’s Beef Association, um grupo de lobby, afirmou que o Burger King busca “ganhar pontos facilmente com os consumidores ao lançar uma campanha de relações públicas enganosa”.

O Burger King afirmou que “quer lançar luz sobre uma questão importante para os negócios e a indústria” e defendeu a proposta com o argumento de que oferecem uma solução: “vacas em dieta”. “A campanha ‘Cardápio das Vacas’ não é uma solução para o problema climático a curto prazo, mas é uma alternativa viável que poderá possibilitar mudanças no futuro”, declarou a rede de fast food.

O Burger King esteve sob pressão no último ano, pois consumidores têm aumentado o desejo de reduzir o consumo de carne bovina devido a preocupações com saúde e impacto climático, segundo a BBC em um artigo sobre a rede americana de hambúrgueres.

O professor Ermias Kebreab, da UC Davis, envolvido na pesquisa com capim-limão, destacou que o cerne da defesa é válido, mas o estudo ainda está em andamento. “A base científica do estudo é boa, mas o vídeo publicitário que o acompanhou é o motivo pelo qual muitas pessoas, especialmente na comunidade rural, ficaram descontentes”, afirmou.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o gado é responsável por cerca de 14,5% das emissões humanas de gases de efeito estufa, sendo o setor pecuário a maior fonte desse total.

Este artigo foi escrito e publicado por Iede de Vries. A tradução foi gerada automaticamente a partir da versão original em neerlandês.

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