A Escócia deve realizar um novo referendo sobre a independência. É o que deseja a primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon, do Scottish National Party (SNP). Seu partido foi, junto com o Partido Conservador, o vencedor das eleições britânicas da semana passada. Mas Boris Johnson já deixou claro que não apoia a ideia.
O SNP conquistou na Escócia 48 das 59 cadeiras escocesas na Câmara dos Comuns em Londres, um ganho de 13 em relação a 2017. "Agora há um mandato para oferecer à população da Escócia a escolha sobre o nosso próprio futuro. Boris Johnson pode ter um mandato para tirar a Inglaterra da União Europeia, mas ele não tem mandato para tirar a Escócia da União Europeia", afirmou Sturgeon.
Os desenvolvimentos políticos dos últimos anos têm causado grande divisão no Reino Unido. Por exemplo, na consulta sobre o Brexit em 2016, Inglaterra e País de Gales votaram majoritariamente pela saída da União Europeia, enquanto Escócia e Irlanda do Norte preferiram permanecer membros da UE. Além disso, já existe na Escócia há algum tempo um movimento que defende a independência.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, é categoricamente contra um referendo escocês sobre independência. Ele afirmou que o resultado do plebiscito escocês de 2014, no qual a separação foi rejeitada por 55%, deve ser respeitado.
Para a política britânica, há o risco de uma situação semelhante à da Espanha, onde a região autônoma da Catalunha defende sua independência e, há dois anos, convocou um referendo sem a permissão do governo de Madri. A Escócia precisa da autorização da Câmara dos Comuns em Londres para realizar um referendo.
Assim, Johnson insiste em um referendo escocês anterior. Segundo o SNP, a situação agora é diferente porque permanecer no Reino Unido significa que os escoceses também serão retirados da UE pelo Brexit. Sturgeon disse que o mandato que seu partido recebeu do povo escocês "deve ser respeitado agora".
Além disso, o novo governo conservador de Johnson enfrentará desde o início objeções ou resistências dos partidos políticos da Irlanda do Norte, pois o acordo Brexit do primeiro-ministro com a UE posiciona a Irlanda do Norte de modo a ficar mais ou menos fora do território aduaneiro britânico e dentro do europeu.
Com isso, a antiga cisão em toda a população britânica (a favor ou contra o Brexit) deve se deslocar nos próximos anos para novas contradições: Escócia dentro do Reino Unido, mas também fora da UE, ou britânicos sem irlandeses do Norte e escoceses fora da UE.

