O julgamento de quatro suspeitos pelo abate do voo MH17 no tribunal de Schiphol pode continuar, apesar da ausência legal de três réus. Isso foi anunciado pelo tribunal no início do processo.
Um dos suspeitos, o russo Oleg Poelatov, está sendo representado por dois advogados holandeses, Boudewijn van Eijck e Sabine ten Doesschate. Eles recebem assistência da advogada russa Elena Kutina, de Moscou. Ela não tem um papel oficial na justiça holandesa, mas foi admitida pelo tribunal como observadora.
Na preparação, os advogados de Poelatov informaram que precisam de mais tempo para se preparar adequadamente para as acusações holandesas (ainda não tornadas públicas). Ficou acordado com o tribunal que os advogados poderão apresentar pedidos para investigações adicionais na próxima audiência, prevista provavelmente para junho.
O primeiro dia da audiência foi quase inteiramente dedicado à leitura e apresentação de várias declarações jurídicas. Por exemplo, o presidente Steenhuis, chefe do tribunal de três juízes, teve que explicar detalhadamente tudo o que o Ministério Público Holandês fez para convocar os outros três suspeitos. No início da sessão, esta precisou ser interrompida por meia hora porque o sinal internacional de TV na internet caiu devido ao grande interesse do público.
Os três suspeitos Igor Girkin, Sergei Doebinsky e o ucraniano Leonid Kharchenko tentaram se manter ‘inacessíveis’ para a Justiça holandesa, mas, segundo os juízes holandeses, isso não foi suficiente. A Holanda enviou pedidos de assistência judicial às cortes da Rússia e da Ucrânia, os quais foram efetivamente atendidos por Moscou e Kiev.
O suspeito Doebinsky retirou a convocação holandesa pessoalmente em um tribunal na Rússia, após ser informado pela Justiça russa de que ‘precisava buscar correspondência’. Sabe-se que o ucraniano Kharchenko usou endereços de e-mail e um aplicativo móvel para receber mensagens, inclusive links para convocações traduzidas. A Justiça holandesa pôde registrar que o suspeito ucraniano abriu esses links.
Segundo as explicações do tribunal, funcionários holandeses chegaram até a tentar verificar se os suspeitos realmente residiam nos endereços onde estão oficialmente registrados. Somente no caso do ucraniano há incerteza total a esse respeito. No entanto, os três fugitivos, em e-mails e telefonemas interceptados, e até mesmo em entrevistas públicas na mídia, deixaram claro que estão cientes do processo contra eles.
Baseando-se nessas considerações, o tribunal concluiu que os três suspeitos Girkin, Doebinsky e Kharchenko ‘renunciaram ao direito de estar presentes’. Nesse caso, o tribunal opta por ‘priorizar um julgamento justo’ e o processo MH17 pode ‘prosseguir à revelia’.
Os três Promotores iniciaram a leitura da denúncia em silêncio, mencionando os nomes das 298 vítimas fatais. No tribunal e em uma sala especial para convidados, estavam presentes algumas dezenas de parentes, incluindo alguns malaio e australianos. Parentes holandeses, que desejavam evitar a atenção da mídia no tribunal, se reuniram em Nieuwegein.

