Os preços globais dos alimentos ficaram quase 33% mais altos em setembro em comparação ao ano anterior. Segundo o índice mensal de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), este é o nível mais alto desde 2011. Desde julho, os preços dos alimentos aumentaram mais de 3%.
O índice de preços dos alimentos é uma média de uma série de matérias-primas alimentares, incluindo óleos vegetais, grãos, carne e açúcar. O índice converte os preços reais em um nível de preços relativo médio, tendo como referência os preços entre 2002 e 2004.
Com base nos preços reais, atualmente é mais difícil comprar alimentos no mercado internacional do que em quase qualquer outro ano desde que o registro da ONU começou em 1961. As únicas exceções foram 1974 e 1975. Esses picos nos preços dos alimentos ocorreram após o pico do preço do petróleo em 1973.
Os aumentos neste ano são principalmente consequência do crescimento dos preços das matérias-primas, da escassez de pessoal devido à pandemia de covid-19 e do forte aumento dos custos de transporte. A falta de mão de obra reduziu a disponibilidade de trabalhadores para cultivar, colher, processar e distribuir alimentos,
Nenhuma matéria-prima tem sido continuamente responsável pelo aumento médio real dos preços desde 2000. Mas o índice de preços dos óleos comestíveis subiu significativamente este ano. O preço dos óleos vegetais aumentou 16,9% entre 2019 e 2020.
A outra categoria alimentar que mais contribui para o aumento dos preços dos alimentos é o açúcar. Também neste caso, condições climáticas adversas, incluindo danos por geada no Brasil, reduziram a oferta e impulsionaram os preços.
Os grãos contribuíram menos para os aumentos gerais de preços, mas sua acessibilidade global é especialmente importante para a segurança alimentar. Trigo, cevada, milho, sorgo e arroz representam pelo menos 50% da alimentação mundial, chegando a 80% nos países mais pobres. Os estoques globais de reserva dessas culturas estão diminuindo desde 2017.

