Pesquisadores holandeses e internacionais farão em breve uma última tentativa para identificar as duas últimas vítimas do avião de passageiros malaio MH17, abatido em 2014. Trata-se de investigadores do Instituto Forense Holandês (NFI) e da Comissão Internacional sobre Pessoas Desaparecidas (ICMP).
Na tragédia aérea que ocorreu sobre o leste da Ucrânia, 298 pessoas perderam a vida. Até o momento, nenhum DNA foi encontrado de um jovem de 16 anos e de um homem de 58, que ainda não foram identificados. A identidade deles não foi divulgada.
Os investigadores ainda possuem fragmentos ósseos recolhidos no local da tragédia, de onde na época não foi possível extrair DNA, mas com técnicas mais recentes, isso pode ser possível agora. Para isso, o instituto holandês NFI vai colaborar com o ICMP internacional, que desenvolveu uma técnica especial para testar novamente o material genético.
Na próxima segunda-feira, no tribunal com segurança reforçada no aeroporto de Schiphol, começa a primeira audiência do processo MH17 contra três russos e um ucraniano. O voo MH17 da Malaysia Airlines foi abatido em 17 de julho de 2014 por um míssil BUK sobre a Ucrânia. Os investigadores e promotores da equipe internacional de investigação conjunta (JIT) concluíram que o míssil BUK veio do exército russo.
De acordo com o Ministério Público Holandês, os quatro suspeitos colaboraram no transporte do sistema de mísseis desde um quartel russo perto de Kursk até a linha de frente no leste da Ucrânia na época. O MP irá acusá-los de assassinato das 298 pessoas que estavam a bordo da aeronave, entre elas 196 holandeses.
Só no processo ficará claro quais provas o JIT reuniu contra eles. Também só então será divulgado quais testemunhas serão convocadas. Já se sabe, porém, que treze testemunhas permanecerão anônimas no processo MH17 por razões de segurança. Presumivelmente trata-se de testemunhas ucranianas ou russas que deram depoimentos a investigadores holandeses. Segundo a Justiça, há “riscos consideráveis para as testemunhas”.
Elas têm direito à proteção porque podem se sentir ameaçadas por seus depoimentos e sua saúde e segurança podem estar em risco. Testemunhas anônimas são identificadas com o código X seguido de uma sequência de números precedidos pela letra V. Esses números não indicam o número de testemunhas. Nove das treze testemunhas anônimas foram ouvidas em 2019, três em 2018 e uma em 2016.
O pedido de anonimato de uma testemunha teria sido recusado. Essa pessoa, conforme o juiz comissário, poderia se sentir insegura pelo seu depoimento, mas garantir o anonimato seria praticamente impossível. Ainda não está claro se essa testemunha será convocada para a audiência.
Pessoas que apresentem sintomas do coronavírus e que tenham viajado recentemente para áreas onde a doença se espalhou não poderão participar das audiências do processo MH17. Mais de 400 jornalistas de dezenas de países acompanharão o julgamento. Por causa do surto da COVID-19, as autoridades de saúde recomendam que pessoas que estiveram em áreas de risco e apresentem sintomas gripais ou febre permaneçam em casa.

