No Parlamento Europeu, não apenas a oposição verde e de esquerda ameaça votar contra o novo acordo da Política Agrícola Comum (PAC), mas também a maior minoria possível da bancada social-democrata S&D.
Segundo a política alemã do SPD, Maria Noichl, a bancada S&D apenas irá aprovar a nova política agrícola comum com a menor maioria possível e "a contragosto".
Noichl foi uma das relatoras sombra do Parlamento Europeu que, no final de junho, alcançaram um acordo provisório com a presidência portuguesa. A maior resistência veio de organizações agrícolas e vários países da UE que se opuseram às "obrigações ambientais" (Pacto Ecológico e do Prado ao Prato) dos Comissários Frans Timmermans (Clima e Ambiente), Stella Kyriakides (Saúde e Segurança Alimentar) e Janusz Wojciechowski (Agricultura e Desenvolvimento Rural).
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Os negociadores do Parlamento Europeu apresentam esta semana seu acordo à comissão AGRI de agricultura do PE. Depois, o acordo ainda deve ser aprovado ainda este ano pelo plenário do Parlamento Europeu. Sabe-se que uma parte da bancada liberal Renew também considera a nova política agrícola proposta "não suficientemente sustentável".
Além disso, na semana passada, a presidente da comissão de controlo orçamental, a democrata-cristã alemã Monika Hohlmeier (PPE), chamou o acordo de negociação de "um fracasso". Segundo ela, os negociadores do PE não conseguiram acabar com o favorecimento e o mau uso de fundos da UE.
Hohlmeier criticou, em entrevista à Agrarzeitung, que os subsídios da UE ainda são distribuídos por hectare, beneficiando 80% dos pagamentos para 20% dos proprietários de terras agrícolas, principalmente em países da Europa Central e Oriental da UE.
Muitos fundos agrícolas continuam indo para os tesoureiros e diretores de cooperativas agrícolas, coletivos, empresas e fundações. Isso mantém um lobby influente de gestores e impede que grande parte do dinheiro da UE chegue como renda para os agricultores.
Hohlmeier (filha do antigo político alemão da CSU Franz-Josef Strauss) concorda assim com críticas já feitas pelo comissário da agricultura Wojciechowski e pela comissão AGRI. Eles também acreditam que mais dinheiro da UE deveria ir para os (pequenos) agricultores e não para os grandes proprietários de terras, mas os negociadores do PE não conseguiram reverter isso junto aos ministros da Agricultura.
Antes disso, os ministros da Agricultura manifestaram satisfação com a nova política agrícola, que será menos centralizada pela UE e, em grande parte, desenvolvida por tarefas específicas a cada país. Esses planos estratégicos nacionais (agrícolas) exigem aprovação anual de Bruxelas, mas oferecem mais exceções para cada país.
Considerando que as negociações sobre a revisão da política agrícola da UE já duram vários anos e que agora – finalmente – há um acordo de negociação entre relatores e relatores sombra do PE sobre a mesa, já aprovado pelos 27 ministros da Agricultura, não se espera que o Parlamento Europeu bloqueie o acordo. Caso contrário, tudo teria que começar do zero. Ainda assim, muitos pontos precisam ser convertidos em textos definitivos (jurídicos).
Bert-Jan Ruissen (SGP), o único negociador holandês pelo Parlamento Europeu, chama o compromisso de "ambicioso, mas viável para o agricultor". Ruissen destaca que a proposta de Timmermans para deixar 10% das terras agrícolas obrigatoriamente em pousio foi reduzida para 3%, com certas exceções. "Este pacote oferece flexibilidade suficiente para os países da UE manterem a viabilidade para os agricultores. Agora cabe à Holanda dar uma boa implementação a isso".
Mesmo que os eurodeputados das três maiores bancadas políticas não apoiem a proposta com maioria, espera-se ainda suficiente apoio das bancadas oposicionistas de direita, conservadores e nacionalistas. Principalmente eles conseguirão o que queriam: uma política da UE menos centralizada, mais exceções nacionais, o mínimo possível de restrições climáticas e nenhuma limitação nos pagamentos.
Ainda não se sabe quando o acordo de negociação será submetido a votação pelo plenário do Parlamento Europeu.

