As bancadas de direita e conservadoras consideram que a Comissão Europeia não deveria ter ratificado o acordo comercial Mercosul com quatro países sul-americanos. Esse acordo foi aprovado pela maioria dos países da UE em 9 de janeiro e assinado por Von der Leyen no Paraguai em 17 de janeiro.
Uma maioria extremamente estreita do Parlamento Europeu havia decidido pouco antes não aceitar o controverso acordo ainda, mas primeiro apresentar uma opinião ao Tribunal de Justiça Europeu. Com 334 votos a favor e 324 contra, e 11 abstenções, o Parlamento Europeu solicitou ao Tribunal de Justiça da UE (TJUE) um parecer jurídico sobre o acordo.
Isso pode levar entre um ano e meio a dois anos. Vários líderes europeus e políticos da UE criticaram essa decisão do PE, afirmando que isso coloca seriamente em risco a posição comercial da UE.
Agricultores europeus que protestavam saudaram a decisão de iniciar um novo procedimento jurídico. Outros apontam que os políticos da UE apenas adiaram sua votação final. De acordo com as regras e procedimentos atuais, é possível que a Comissão Europeia permita que o acordo entre em vigor de forma ‘temporária’ agora, e depois – após uma decisão do Tribunal de Justiça da UE – o formalize.
Os líderes das duas maiores bancadas políticas em Estrasburgo, os democrata-cristãos e os social-democratas, já pediram à Comissão que permita o início do acordo. Segundo fontes bem informadas, isso pode ocorrer já a partir de março.
O chanceler alemão Merz também pediu isso. Ele disse no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que lamentava a decisão do Parlamento Europeu, pois criou um novo obstáculo. “Mas fiquem tranquilos: não seremos impedidos. O acordo Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa se quisermos alcançar um maior crescimento na Europa”, declarou Merz na quinta-feira.
Os defensores afirmam que o acordo é importante para compensar a perda comercial devido às tarifas americanas sobre importações e para reduzir a dependência da China. Os críticos, especialmente da Polônia e da França, afirmam que isso aumentará a importação de carne bovina e aves barata, prejudicando a situação de renda dos agricultores locais.
Antes da votação para destituir os Comissários, o Parlamento Europeu já havia rejeitado várias tentativas de apresentar uma moção de desconfiança contra a Comissão de Ursula von der Leyen – especialmente em julho e outubro de 2025, quando foram feitas duas tentativas.
Von der Leyen não esteve presente no debate sobre sua posição, mas esteve em Davos, nas negociações para evitar uma iminente guerra comercial entre os Estados Unidos e a Europa. Neste fim de semana, ela viaja para a Índia, com a qual a UE espera fechar um grande acordo comercial.

