A Comissão de Comércio Internacional decidiu retomar o trabalho sobre o acordo comercial congelado com os Estados Unidos. Trata-se de uma votação sobre parte do acordo comercial, especificamente as propostas para eliminar as tarifas de importação sobre bens industriais americanos e lagosta.
Isso pode pôr fim a uma suspensão temporária após o presidente Trump ameaçar com tarifas mais altas devido aos protestos europeus contra suas ameaças a respeito da Groenlândia.
Diversas facções do Parlamento Europeu acreditam que a Comissão Europeia deve retribuir na mesma moeda aos americanos, mas outras querem evitar um conflito comercial crescente. Embora a maioria tenha concordado com a retomada dos trabalhos, continuam existindo divergências fundamentais sobre as condições para a aprovação do acordo.
O ponto central é até que ponto o Parlamento deve incluir garantias políticas. Várias facções defendem apoiar o acordo somente se forem claramente estabelecidas possibilidades de suspensão na legislação de execução. Além disso, isso significaria que a presidente da Comissão, Von der Leyen, teria que “retornar” ao Trump.
Segundo os defensores, essas cláusulas de suspensão poderiam ser usadas caso os Estados Unidos não respeitem a integridade territorial ou interesses essenciais de segurança da União Europeia ou dos países da UE.
Outras facções, principalmente dentro do maior grupo político PPE, advertem que condições extras podem minar o acordo. Eles defendem uma aprovação rápida e afirmam que mais atrasos prejudicam a credibilidade da UE.
Os social-democratas S&D, o segundo maior partido no Parlamento, votam contra o acordo enquanto Trump minar a soberania europeia. Eles exigem que o acordo inclua uma cláusula de suspensão que permita a retirada do acordo caso os EUA ameaçem a Europa novamente.
Apesar das divergências, foi acordado continuar o processo legislativo. A comissão de comércio trabalha em duas propostas de lei que implementam acordos tarifários do chamado acordo Turnberry.
Uma votação na Comissão de Comércio está prevista para 24 de fevereiro. Depois, o dossiê pode ser enviado à sessão plenária, onde o Parlamento Europeu completo deverá se pronunciar.
Até lá, permanece incerta a possibilidade de se superar o fosso político. Está claro que o resultado não é apenas de importância econômica, mas também é visto como um teste para a unidade europeia e coesão política.

