O primeiro-ministro Joseph Muscat de Malta renuncia no próximo mês. O controverso primeiro-ministro está fortemente sob fogo devido à ocultação de fraudes e corrupção. Na sequência do assassinato notório da jornalista investigativa Daphne Caruana Galizia em 2017, vários outros políticos proeminentes também tiveram que renunciar. Muscat anunciou que deixará o cargo em 12 de janeiro. Sua renúncia já era esperada há dias.
Muscat é primeiro-ministro desde 2013. No domingo, protestos voltaram a acontecer em Valeta contra ele e outros políticos. Agora que Muscat permanecerá no poder por mais seis semanas, ele pode continuar interferindo na investigação contra o empresário Fenech. Ainda existe entre a população o receio de que todo o caso seja varrido para debaixo do tapete.
Na segunda-feira, uma missão de investigação do Parlamento Europeu parte para Malta, para pressionar para que os políticos malteses não interfiram mais nas investigações judiciais sobre corrupção e assassinato. A missão é liderada pela eurodeputada liberal holandesa Sophie in ’t Veld.
Ontem, o importante empresário maltês Yorgen Fenech foi oficialmente acusado por ser o mandante do assassinato de Galizia. Ela morreu em um atentado à bomba contra seu carro; ela escrevia criticamente sobre a corrupção na ilha. Fenech nega qualquer envolvimento no assassinato. Ele se ofereceu para colaborar com as investigações em troca de anistia.
Fenech foi detido ao tentar deixar Malta na semana passada em seu iate particular. O empresário era proprietário de uma empresa em Dubai, 17 Black, que Galizia revelou ter ligações com políticos malteses. Na época ainda não se sabia que Fenech estava por trás disso.
Em Malta, o controle sobre lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo é precário. Estrangeiros ricos podem comprar passaportes, o que lhes permite viajar livremente pela União Europeia. Também podem abrir contas bancárias e criar empresas em países da UE. Dentro da UE, há muitas preocupações sobre o clima de corrupção no pequeno Estado-membro.

