Após ameaça da Democracia Cristã do PPE de abolir toda a chamada lei anti-ignoração com o apoio de grupos de extrema-direita, os social-democratas do S&D e os liberais do Renew concordaram com um compromisso que enfraquece consideravelmente o dever de cuidado das empresas.
A diretiva CSDDD, que obriga as empresas a combater abusos com fornecedores e clientes, passará a aplicar-se somente a grandes empresas com pelo menos 5.000 trabalhadores e um volume de negócios acima de 1,5 mil milhões de euros. Isso representa um aumento considerável em relação ao limite anterior de 1.000 trabalhadores e 450 milhões de euros.
O compromisso inclui também ajustes que isentam em grande parte as pequenas empresas das obrigações de reporte. A responsabilidade passará a ser mais baseada em riscos: as empresas devem focar-se em parceiros comerciais diretos em vez de toda a cadeia de valor.
Ativistas ambientais consideram o novo acordo um passo atrás na luta contra as alterações climáticas e as violações dos direitos humanos. Segundo eles, a decisão de elevar os limiares para as empresas significa que menos empresas estarão sob supervisão.
Eco-ativistas acrescentaram que pequenas e médias empresas, que anteriormente eram obrigadas a cumprir normas ambientais, agora ficarão sem supervisão. Isso poderia, segundo eles, minar a eficácia da diretiva e tornar as empresas menos "transparentes" sobre riscos ambientais e sociais.
O acordo, fechado após dias de intensas negociações, faz parte da primeira grande lei europeia para simplificar a regulamentação da UE. Com isso, a nova Comissão Europeia (‘VDL-2’) atende às reclamações do setor empresarial. Segundo os democrata-cristãos do PPE, o ajuste é necessário para estimular o crescimento e o emprego europeus.
A bancada do S&D cedeu relutantemente à pressão do PPE. Eles declararam que o compromisso "não era a opção preferida", mas que a rota alternativa – uma maioria de direita com uma proposta ainda mais enxuta e rígida – teria resultado em um desfecho pior. Os liberais do Renew Europe acabaram apoiando a mesma linha.
O passo gerou insatisfação dentro das fileiras social-democratas. A eurodeputada neerlandesa Lara Wolters, que até então era negociadora em nome do S&D, renunciou ao cargo em protesto contra a mudança de rumo. Ela declarou que sua posição tornou-se insustentável depois que sua própria lei, destinada a responsabilizar as empresas por abusos, foi enfraquecida.
Os acordos revistos serão votados na próxima semana na comissão competente do Parlamento Europeu. Uma votação plenária seguirá ainda neste mês. Após isso, começam as negociações com os ministros dos 27 países da UE, que precisam aprovar antes que as novas regras simplificadas sejam definitivamente implementadas.

