A Comissão Europeia tem trabalhado nas últimas semanas numa reorganização profunda do orçamento plurianual que deverá vigorar até 2035. Para manter o orçamento administrável, estão a ser preparadas grandes cortes e rearranjos.
Para isso, a Comissão está a estudar a possibilidade de fundir fundos existentes. Uma proposta nesse sentido enfrentou forte oposição tanto do Parlamento Europeu como das capitais nacionais. A Comissão Europeia parece, portanto, estar a preparar um plano ajustado.
Em propostas internas anteriores, considerou-se desligar o fundo de desenvolvimento rural do orçamento agrícola. Esse dinheiro seria então incorporado, juntamente com os fundos de coesão, em envelopes nacionais que seriam predominantemente geridos pelos próprios países da UE. Essa deslocalização extrema reduziria significativamente a influência europeia em certas áreas políticas.
Especialmente a chamada subvenção por hectare para grandes empresas agrícolas tem sido alvo de críticas há anos, dado que o dinheiro agrícola da UE vai principalmente para grandes grupos e cooperativas, e não para agricultores de verdade. Atualmente, dentro da agricultura da UE, há mais atenção ao apoio à inovação e renovação, bem como aos jovens agricultores iniciantes.
Principalmente no Parlamento Europeu, cresce a resistência contra cortes significativos no financiamento da agricultura. O grupo popular europeu (EPP) cristão-democrata quer manter a atual estrutura de subsídios agrícolas. O grupo social-democrata S&D opõe-se ao corte do Fundo Social Europeu, que é usado para emprego e inclusão social.
Organizações agrícolas na Europa anunciaram que farão uma manifestação em Bruxelas na quarta-feira, coincidindo com a apresentação do orçamento plurianual. Temem que a agricultura seja utilizada como variável de ajuste para preencher os buracos orçamentários.
Assim, a pressão sobre a Comissão Europeia aumenta. Segundo relatos não confirmados, Bruxelas agora pondera manter o dinheiro dos subsídios para a agricultura e para as políticas sociais como fluxos de subsídios separados, mas a agricultura teria que fazer grandes concessões.
Na segunda-feira, os 27 ministros da agricultura da UE reúnem-se em Bruxelas. Durante esse encontro, o comissário europeu Christoph Hansen explicará sua visão para o futuro da política agrícola europeia. Pelo menos, essa era a programação até agora.
Hansen deseja ter sua proposta para a nova política agrícola 2028-2035 aprovada ainda este ano, mas isso está intimamente ligado ao resultado das negociações sobre o quadro financeiro plurianual.

