O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos é o mais alto órgão jurídico para questões de direitos humanos na Europa. Em sua decisão, o Tribunal confirmou que a Rússia controlava a área onde o míssil Buk foi disparado, sendo assim corresponsável pelo incidente fatal. O Tribunal concluiu que a Rússia falhou em garantir o direito à vida.
O desastre com o voo MH17 ocorreu em 17 de julho de 2014. Uma aeronave da Malaysia Airlines foi abatida sobre o leste da Ucrânia. Todos os 298 ocupantes morreram, entre eles 196 holandeses. O voo seguia de Amsterdã para Kuala Lumpur. O drama causou indignação mundial e intensas tensões diplomáticas.
A condenação pelo Tribunal de Direitos Humanos não é a primeira decisão internacional sobre o MH17. Anteriormente, a Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO) também se manifestou sobre o desastre. A ICAO apontou a Rússia como parte responsável pelo uso do sistema de armas que causou o desastre. A organização afirmou que a Rússia falhou em proteger a aviação civil.
Além disso, o sistema judiciário holandês já se pronunciou sobre o caso. Em 2022, um tribunal considerou três homens culpados de homicídio dos 298 ocupantes do voo MH17. Dois russos e um ucraniano foram condenados à revelia a penas de prisão perpétua devido ao envolvimento no transporte e disparo do míssil BUK.
O Tribunal de Direitos Humanos destacou que a Rússia recusou sistematicamente cooperar com a investigação internacional. Também foi constatado que a Rússia espalhou desinformação sobre a causa do desastre. O Tribunal considera essa atitude contrária às obrigações de direitos humanos assumidas pelo país.
A decisão do Tribunal implica que a Rússia assume responsabilidade jurídica pela morte dos ocupantes. Os familiares recebem assim reconhecimento de um importante órgão internacional. Ainda não está claro se essa decisão levará a reparações financeiras ou outras consequências práticas. A Rússia não reconhece mais a autoridade do Tribunal.
Embora a Rússia tenha sido expulsa do Conselho da Europa em 2022, o Tribunal mantém competência para se pronunciar sobre reclamações relacionadas a eventos ocorridos antes dessa data. O desastre do MH17 situa-se nesse período. A decisão também pode influenciar outros processos nos quais a Rússia seja responsabilizada por ações na Ucrânia.

