A não celebração de um acordo comercial entre a União Europeia e o Reino Unido após o Brexit teria consequências graves para o setor agroalimentar.
Após o impasse na quarta rodada de negociações na semana passada, organizações agrícolas em Bruxelas expressaram sua preocupação. A federação agrícola Copa-Cogeca, a entidade de alimentos Celcaa e a FoodDrinkEurope disseram ao Euractiv, em uma primeira reação, que o risco está crescendo.
Empresas agrícolas devem começar a se preparar para uma saída britânica sem acordo, com atritos adicionais, barreiras tarifárias e outros obstáculos comerciais, segundo fontes da UE. Nesse cenário, o Reino Unido e os países da UE passariam a negociar segundo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), com tarifas aduaneiras, inclusive para produtos agrícolas e alimentícios.
Uma saída britânica sem qualquer acordo de transição parece inevitável, reagiu o eurodeputado Peter van Dalen (ChristenUnie) na sexta-feira ao site de notícias iede.news. “Os britânicos até desviaram dos acordos políticos previamente estabelecidos. Essa postura teimosa e irresponsável resultará em perdedores em ambos os lados do Canal da Mancha. Este é um dia negro para as negociações do Brexit”, afirmou Van Dalen.
Somente uma cúpula de alto nível ainda este verão entre Michel (Conselho Europeu), Von der Leyen (Comissão Europeia) e Johnson (primeiro-ministro britânico) poderia trazer alguma esperança. Essa situação é dramática para a pesca holandesa, disse Van Dalen.
Os britânicos deixaram a UE em 1º de fevereiro e devem indicar até 1º de julho se querem estender as negociações por (no máximo) dois anos. Londres afirma que não fará isso. Eles exigem livre comércio e acesso ao mercado interno para muitos de seus produtos populares.
A Europa quer um acordo de cooperação muito mais amplo, incluindo comércio sem tarifas nem cotas, mas também exige que Londres cumpra as regras europeias de jogo justo e continue a dar acesso aos europeus às águas de pesca britânicas.
O primeiro-ministro britânico Boris Johnson está, segundo a imprensa britânica, disposto a aceitar tarifas da UE para alguns produtos britânicos. Sua proposta é vista como uma tentativa de romper o impasse com a União Europeia. Em dois temas importantes, pesca e padrões iguais para condições de trabalho e meio ambiente (alimentação, laticínios e agricultura!), as partes ainda não chegaram a um acordo.

