A Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu discute na segunda-feira a retomada ou continuação das negociações do triloque sobre a ‘ecologização’ da política agrícola. Com a ajuda dos serviços administrativos em Bruxelas, está sendo elaborado um levantamento dos impactos que teria tido a proposta (rejeitada) do Conselho de Ministros.
As negociações do triloque entre o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e os 27 ministros de Agricultura sobre o Green Deal na política agrícola da UE ficaram bloqueadas na manhã de sexta-feira, mas ninguém fala ainda em fracasso. As discussões foram adiadas, é como está oficialmente chamado. Na maioria das reações fala-se em ‘bloqueio’ ou ‘suspensão’.
A Comissão Europeia espera que Portugal, na reunião do Conselho de Agricultura nos dias 28 e 29 de junho, consiga ainda um novo espaço negocial por parte dos ministros. Caso isso inesperadamente não aconteça, Portugal deverá transferir o dossiê para a sucessora Eslovênia, o que pode causar um atraso muito maior.
As negociações travaram na questão de quanto subsídio da PAC deve ser destinado ao Green Deal na agricultura: 20% (como a maioria dos países da UE queria) ou 30% (como desejam o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia).
Com a presidência portuguesa, foi apresentado no início deste mês o compromisso de 25%, o que já foi considerado um ‘engolir difícil’ para muitos países da UE. Muitos eurodeputados reagiram positivamente a essa proposta inicialmente.
Mas na noite de quinta-feira surgiu a verdadeira dificuldade franco-alemã: esse 25% só entraria em vigor em 2025, após dois anos “voluntários” de teste, com um limite mínimo de 18%, e o dinheiro ambiental não utilizado deveria permanecer dentro do setor, ainda que pela segunda pilar.
Esse último ponto foi visto pelos negociadores do Parlamento Europeu como uma nova tentativa dos ministros da Agricultura de recuar ou postergar. Eles destacaram que a ecologização dos subsídios agrícolas já foi anunciada em 2020 e já foi adiada e retardada pelos ministros por dois anos.
O principal negociador do PE, Norbert Lins (D), apelou ao Conselho de Ministros para que volte à mesa de negociações. Ele expressou grande decepção pelo fato da presidência portuguesa ter interrompido as negociações. ‘Essa decisão é ruim para todos os nossos agricultores e para a proteção do clima e do meio ambiente. Os agricultores hoje não têm certeza sobre o cronograma e as medidas urgentemente necessárias continuam sendo adiadas’.
Além disso, corre o risco de os países da UE enfrentarem agora um bloqueio na aprovação dos programas nacionais da PAC.

