O primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o líder da oposição Jeremy Corbyn realizaram na televisão BBC seu segundo e, até o momento, último debate televisivo, antes das eleições parlamentares de quinta-feira, 12 de dezembro. O debate, combinado com perguntas do público, foi mais factual e substancial do que o primeiro. Porém, novamente, o debate televisivo parece não ter causado mudanças nas preferências dos eleitores.
Corbyn afirmou ter tido acesso a um relatório governamental confidencial. Segundo ele, o documento revelaria que o acordo Brexit de Johnson com a UE tem consequências muito maiores para a Irlanda do Norte do que o governo admite. Johnson nega isso, mas não mais negou a existência do relatório.
De acordo com o relatório de quinze páginas, haverá de fato uma fronteira alfandegária no Mar da Irlanda entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte, e o governo não pode descartar controles rigorosos sobre o tráfego de mercadorias entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido. Isto contraria a alegação anterior do primeiro-ministro de que nenhuma fronteira será criada no Mar da Irlanda.
Corbyn já havia apresentado no final do mês passado centenas de páginas de documentos sobre negociações comerciais entre o governo Johnson e os Estados Unidos. O resultado poderia ser que o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) teria que pagar mais por medicamentos.
O Partido Conservador mantém, em uma pesquisa recente, o apoio de 43% dos eleitores. O partido de oposição Labour permaneceu estável com 34%, e os Liberal-Democratas também mantiveram 13%. Nesse cenário, os Conservadores conquistariam a maioria na Câmara dos Comuns; essa maioria só estaria ameaçada se a diferença entre os dois principais partidos fosse de seis pontos percentuais ou menos.
O conceituado instituto de pesquisa YouGov divulgará na próxima terça-feira à noite os resultados de uma última pesquisa, em parceria com SkyNews e The Times. Analistas não esperam grandes mudanças para os Conservadores: eles já captaram ao máximo os eleitores conservadores "moderados" que antes apoiavam o partido radical anti-Europeu de Nigel Farage.
Alguns analistas afirmam que ainda podem ocorrer variações para o Labour. Corbyn, com seu Brexit repleto de condições e ressalvas, já perdeu para os Conservadores alguns tradicionais eleitores laboristas anti-Europeus, mas pode perder sua base pró-europeia para os Liberal-Democratas, SNP ou Verdes. Por outro lado, ele pode atrair eleitores moderados indecisos desses mesmos partidos.
Muitos comentaristas também destacam que Johnson e Corbyn, com seus manifestos eleitorais, não atraem eleitores, mas sim os amedrontam com suas posições radicais e obstinadas. Suas personalidades estariam atrapalhando seus próprios partidos. Já se especula sobre qual líder renunciará após o resultado de 12 de dezembro.
O primeiro-ministro Johnson se recusa a ser entrevistado na televisão pelo principal entrevistador da BBC, Andrew Neil. Os outros líderes partidários já foram entrevistados por Neil nas últimas semanas. Suas entrevistas são muito bem preparadas e os políticos não escapam de desculpas, brincadeiras ou evasivas. Neil também consegue identificar claramente as fraquezas de um programa eleitoral ou de um candidato.
Johnson nega que esteja evitando críticas. A recusa de um líder partidário para uma entrevista em horário nobre na BBC é inédita. Entrevistas com líderes partidários são, há décadas, parte essencial da cobertura eleitoral da BBC na faixa nobre. Boris Johnson também deixou claro na quinta-feira que não tem tempo para uma entrevista na emissora comercial britânica ITV. Ele é o único líder partidário que não quer ser entrevistado no programa Tonight.

