A polícia de fronteira grega prendeu no domingo, pelo segundo dia consecutivo, pessoas que tentavam cruzar ilegalmente a fronteira a partir da Turquia. A polícia usou gás lacrimogêneo contra um grupo de quinhentos imigrantes que atiravam pedras durante as tentativas de atravessar a fronteira.
Enquanto isso, Grécia e Bulgária intensificaram os controles na fronteira turca. A União Europeia espera que a Turquia continue cumprindo os acordos de 2016 sobre o controle dos fluxos de refugiados. De Ancara não houve nenhuma notícia oficial de que a política será mudada ou que o acordo será cancelado. Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou isso após um funcionário turco ter dito que a Turquia não irá mais impedir sírios refugiados que queiram migrar para a Europa.
O primeiro-ministro holandês Mark Rutte compartilhou suas preocupações sobre a situação na fronteira greco-turca com o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis. Ele acredita que a Turquia deve cumprir os acordos de 2016 sobre o acolhimento dos refugiados sírios. A administração diária da UE irá averiguar a veracidade das notícias de que migrantes estariam se dirigindo para a Europa. A Grécia insiste em uma reunião extra de ministros da UE.
A NATO exige que os lados em conflito concedam urgentemente acesso a agentes humanitários. A aliança monitora a situação a partir do ar, com aviões AWACS. O secretário-geral das Nações Unidas António Guterres já havia informado que acompanha a escalada no noroeste da Síria com ‘profunda preocupação’.
Segundo Ancara, está difícil para a Turquia acolher novos fluxos de refugiados. A Turquia já ameaçou anteriormente cancelar o difícil acordo alcançado com a UE, mas isso se revelou parte de um jogo diplomático para conseguir novas concessões. Segundo o governo turco, a UE tem sido lenta em transferir os fundos compensatórios e os custos assumidos pela Turquia não estão proporcionais ao que o país de fato recebe.
Desde o início da guerra na Síria, a Turquia acolheu mais de 3,5 milhões de refugiados sírios. Além disso, do outro lado da fronteira turca, na província síria de Idlib, há mais 950 mil refugiados que fogem do regime de Assad. Entre este último grupo, reina agora grande medo com o avanço do exército sírio.
A polícia turca, a guarda costeira e a vigilância fronteiriça receberam agora a ordem de não manter as fronteiras fechadas. Segundo a mídia turca, na sexta-feira centenas de refugiados e migrantes caminharam em direção a postos fronteiriços entre Turquia e Grécia. Entre eles não havia apenas sírios, mas também iranianos, iraquianos, paquistaneses e marroquinos. Porém, como os gregos não abriram seu lado da fronteira, os refugiados ficaram encalhados. Foram contra-atacados com gás lacrimogêneo e tiros de advertência pelos postos fronteiriços gregos.

