Com as eleições europeias e a formação de uma nova Comissão Europeia a caminho, um acordo comercial entre Europa e Austrália não é esperado antes de 2025. Pode ser que até seja necessário aguardar as eleições parlamentares australianas em 2025. O lobby agrícola é um fator influente na política australiana.
O ministro do comércio australiano Don Farrell declarou que os Comissários da UE Dombrovskis (Comércio), Sinkevicius (Meio Ambiente) e Wojciechowski (Agricultura) não atenderam suficientemente aos pedidos australianos para flexibilizar várias tarifas e cotas. Uma associação agrícola australiana concordou, afirmando que o ministro Farrell fez bem em manter as demandas australianas por maior acesso aos mercados da UE.
Há mais de cinco anos, a Comissão Europeia e a Austrália discutem um acordo de livre comércio. Já existe um consenso geral sobre a maioria dos pontos, exceto por algumas questões agrícolas. Os australianos querem exportar muito mais carne bovina e ovina para a Europa. Segundo Canberra, as cotas e tarifas propostas pela UE mantêm-se muito próximas da situação atual.
Associações agrícolas europeias pressionaram diversas vezes Bruxelas para que não ceda muito aos australianos. Além disso, as importações australianas deveriam cumprir as regras ambientais e climáticas mais recentes que a UE impõe aos seus próprios agricultores europeus.
A Austrália aceita apenas as regras da UE que Bruxelas já tenha acordado anteriormente em outros acordos de livre comércio, como com a Nova Zelândia ou a América do Sul. Isso permite que esses blocos comerciais exportem mais carne bovina, carne de cordeiro, manteiga e queijo para a UE. A Austrália deseja pelo menos as mesmas condições.
O ministro australiano da Agricultura, Murray Watt, afirmou que a UE – um dos maiores mercados do mundo – apenas alterou levemente a proposta apresentada há três meses.
O chefe do comércio da UE Valdis Dombrovskis disse que o bloco "apresentou uma oferta comercialmente significativa de acesso ao mercado agrícola para a Austrália, ao mesmo tempo em que estava consciente dos interesses do setor agrícola europeu".

