O primeiro-ministro britânico Boris Johnson quer poder desviar-se das regras europeias, após o período de transição que termina no final deste ano. Ele está disposto, se necessário, a abrir mão completamente de um acordo comercial com a União Europeia. Johnson afirmou isso na segunda-feira em um discurso em Londres sobre a direção britânica nas próximas negociações comerciais com a UE.
A União Europeia, por outro lado, tem afirmado repetidamente que uma condição para um acordo comercial com o Reino Unido é que haja acordo sobre a manutenção de critérios mínimos e que os cidadãos e empresas europeias não sejam prejudicados, conforme indicou o negociador da UE Michel Barnier na segunda-feira.
A UE está disposta a fechar um acordo de livre comércio "ambicioso" com o Reino Unido, sem cotas e tarifas, sob a condição de concorrência aberta e justa. Todos os bens que no futuro entrarem na UE devem cumprir as regras europeias de segurança e saúde, assim como as normas e padrões sociais e ambientais europeus. A chave para esta "oferta especial" está nas mãos do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, afirmou a UE.
No entanto, segundo Johnson, não há necessidade de o Reino Unido se alinhar às regras da UE. Se Londres se recusar a assinar um acordo sobre um "campo de jogo equilibrado", segundo a UE não pode haver um acordo comercial sem tarifas de importação. O Reino Unido e a UE recorreriam então às regras da Organização Mundial do Comércio, o que poderia implicar tarifas recíprocas. Nesse caso, o Brexit no final deste ano equivaleria a um Brexit sem acordo, um risco contra o qual políticos britânicos pró-UE sempre alertaram.
Barnier indicou na segunda-feira que continua importante preparar-se para esse tipo de Brexit sem acordo. Johnson pareceu aceitar esse risco em seu discurso. Ele afirmou que o Reino Unido prefere um acordo comercial semelhante ao entre o Canadá e a UE.
Se isso não for possível, Johnson deseja recorrer às disposições acordadas no acordo sobre a saída da UE. Isso implica que, a partir de 2021, o Reino Unido ficará fora do mercado interno europeu e da união aduaneira caso não haja acordo comercial. A Irlanda do Norte, na prática, continuará subordinada às regras da UE.

