Na prática, as decisões do principal conselheiro do Tribunal Europeu são quase sempre aceitas. Nesse caso, o novo pacto migratório poderia entrar em vigor ainda este ano. A abordagem mais rigorosa gera controvérsia porque tenta manter os requerentes de asilo fora do território europeu durante a análise de seus pedidos.
Um conselheiro importante do tribunal afirma que os países da UE podem criar centros de detenção e acolhimento em países fora da UE. A condição é que os direitos dos migrantes sejam plenamente respeitados. Trata-se de direitos básicos como acesso a assistência jurídica, apoio na língua própria e proteção de grupos vulneráveis, como menores de idade.
Também crianças
Além disso, requerentes rejeitados poderão futuramente ser transferidos dos países da UE para esses campos, inclusive nos casos em que houver crianças pequenas envolvidas. A primeira-ministra italiana Meloni já inaugurou alguns destes campos na Albânia no ano passado, mas teve que suspender a operação por ordem dos tribunais italianos.
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Dentro da União Europeia, os governos dos países da UE estão mais ou menos alinhados, e há maioria favorável também no Parlamento Europeu. Nos próximos meses, negociadores dos governos da UE e do Parlamento ainda precisam chegar a uma posição conjunta. Em última análise, cabe a cada país da UE decidir se irá transferir requerentes de asilo rejeitados para esses campos.
Os planos já enfrentam críticas há algum tempo. Os opositores alertam que alojar migrantes fora da UE pode levar à restrição de seus direitos. Organizações de direitos humanos apontam riscos para procedimentos justos e acesso à proteção. Ao mesmo tempo, os defensores ressaltam que a abordagem é necessária para controlar melhor os fluxos migratórios.
Retorno
Os centros na Albânia foram originalmente pensados para acolher requerentes de asilo provenientes de países considerados seguros, que não teriam acesso à UE. Atualmente, a Itália deseja utilizá-los também para requerentes cujos pedidos foram rejeitados. Isso evidencia uma mudança gradual do foco para retorno e deportação.
A discussão não ocorre apenas na Itália. Na União Europeia, estão sendo elaboradas novas regras que permitirão a criação de chamados centros de retorno fora da UE. Vários países da UE apoiam essa direção e querem concluir o novo pacto migratório ainda neste ano.
Cada país decide
No entanto, o resultado ainda é incerto. Em última análise, cabe aos próprios países da UE decidir se irão deportar requerentes de asilo rejeitados, inclusive por força, e alojá-los em “centros de acolhimento” na Albânia ou no Norte da África. Assim, um novo capítulo na política migratória europeia parece mais próximo, mas o debate sobre suas consequências está longe de terminar.

