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Ombudsman da UE investiga importação de carne ‘sustentável’ da América do Sul

Iede de VriesIede de Vries

A Ombudsman da Comissão Europeia está iniciando uma investigação sobre a forma como a UE firmou o acordo comercial Mercosul com cinco países da América do Sul.

A Ombudsman Europeia Emily O’Reilly está respondendo com essa investigação a reclamações de cinco organizações europeias de direitos humanos e meio ambiente que afirmam que a Comissão Europeia não examinou previamente os acordos comerciais em relação aos próprios objetivos de sustentabilidade da UE (SIA).

As cinco organizações reclamantes alegam que a Comissão, ao não tomar essa medida, ignorou suas próprias diretrizes e violou o Tratado da UE sobre objetivos de sustentabilidade para todo o comércio da UE. Também pedem que se investigue por que os Comissários da UE deixaram isso de lado e por que mantiveram isso em segredo.

O’Reilly decidiu usar a investigação para fazer mais perguntas à Comissão, incluindo se o procedimento padrão para os SIAs foi seguido. A Ombudsman solicitou que a Comissão responda dentro de três meses.

Os grupos reclamantes – ClientEarth, Fern, Instituto Veblen, La Fondation Nicolas Hulot pour la Nature et l’Homme e Federação Internacional para os Direitos Humanos – afirmam que a Comissão Europeia firmou o acordo sem uma boa avaliação dos danos que ele poderia causar. Eles discordam da avaliação da Comissão de que as novas exportações ampliadas de alimentos e carne entre a América do Sul e a Europa serão possíveis de forma sustentável.

O eurodeputado irlandês (Fianna Fáil) Billy Kelleher acolheu a investigação sobre o acordo comercial entre a Comissão Europeia e o Mercosul, e disse considerar 'ridícula' a ideia de que o acordo do Mercosul não teria grande impacto na sustentabilidade.

“Nós já produzimos carne bovina suficiente de alta qualidade nos países da UE, segundo os mais altos padrões de bem-estar animal e meio ambiente,” continuou ele. “Como pode a produção de carne bovina na América do Sul e seu transporte pelo Oceano Atlântico até a Europa ser ecologicamente sustentável?”

“Precisamos reconsiderar o acordo do Mercosul e, para ser franco, cancelá-lo”, afirmou o eurodeputado Billy Kelleher. O membro do Parlamento Europeu de Fianna Fáil acolhe o anúncio da investigação sobre o acordo comercial entre a Comissão Europeia e o Mercosul. O acordo comercial do Mercosul prevê a importação de uma quantidade limitada de carne bovina dos países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – com tarifas alfandegárias reduzidas. A UE e o grupo de países do Mercosul chegaram a esse pacto comercial em 2019.

Se um ou mais países da UE decidirem não aceitar o tratado Mercosul após revisão, isso não significa que o tratado será cancelado. Pelo contrário: partes importantes do acordo já estão em vigor. Nesse caso, os Comissários da UE terão que negociar novamente com os países sul-americanos sobre as partes controversas para realizar ajustes.

Atualmente, o tratado está na fase em que todos os parlamentos dos 27 países da UE precisam ratificar o acordo Mercosul. O parlamento regional belga da Valônia já votou contra, e o parlamento holandês também rejeitou o tratado por meio de uma moção não vinculativa.

Neste momento, a União Europeia também está negociando com os Estados Unidos, com o Japão e com o Reino Unido acordos comerciais semelhantes. Em todos esses casos, a questão de sempre priorizar os interesses econômicos do livre comércio irrestrito ('livre circulação de mercadorias') em detrimento da proteção dos próprios critérios (europeus) de segurança alimentar, agricultura e sustentabilidade vem sendo cada vez mais questionada.

Este artigo foi escrito e publicado por Iede de Vries. A tradução foi gerada automaticamente a partir da versão original em neerlandês.

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