O acordo comercial entre a UE e os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — está em negociação há vários anos. O acordo eliminará barreiras comerciais para, entre outros, produtos agrícolas. Ao mesmo tempo, cresce dentro da UE a preocupação sobre as consequências para os agricultores europeus, que temem concorrência desleal e perda de renda.
A França tomou a liderança em uma reunião com dez outros países da UE, incluindo Países Baixos, Áustria e Polônia. Durante uma videoconferência, o ministro francês para Assuntos Europeus fez um apelo por uma medida automática de proteção. Esta medida deveria intervir quando as importações da América do Sul invadirem repentinamente o mercado europeu em grandes quantidades.
Segundo a França e seus aliados, a atual cláusula de proteção no acordo é vaga e difícil de aplicar. Por isso, defendem uma medida de emergência mais concreta e de aplicação mais rápida. Esta permitiria à União Europeia limitar temporariamente a entrada de determinados produtos se os mercados forem perturbados ou se os agricultores forem excessivamente afetados. Uma construção semelhante também é usada nas regras comerciais ampliadas para a Ucrânia.
Além desse freio de emergência, já foi feita anteriormente uma proposta para compensação por danos a agricultores europeus que sofreriam perdas graves de renda devido ao acordo comercial. A ideia é que agricultores afetados desproporcionalmente tenham direito a compensação. Como isso seria exatamente organizado, ainda não foi detalhado.
A Comissão Europeia enfatiza, por sua vez, as vantagens do acordo. Segundo Bruxelas, o tratado proporcionaria mais oportunidades de exportação para empresas europeias. Além disso, ajudaria a fortalecer os vínculos econômicos com a América do Sul, especialmente agora que as relações comerciais com os EUA estão sob pressão devido às novas tarifas de importação americanas.
Enquanto isso, protestos de agricultores continuam em vários países da UE. Em lugares como França, Bélgica e Bulgária, agricultores voltaram recentemente às ruas para protestar contra o acordo.
As negociações sobre o acordo do Mercosul estão em uma fase delicada. A possibilidade de um acordo depende, em parte, da disposição para incluir garantias adicionais. A convocação da França e dos outros países para um freio de emergência e compensação por danos só terá chance de sucesso se eles conseguirem formar uma minoria suficientemente bloqueadora.

